Galáxia – Um estudo divulgado na última semana na revista científica The Astrophysical Journal apresenta o registro incomum de uma galáxia apelidada de “água-viva cósmica”. A observação foi realizada pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA. Batizada de COSMOS2020-635829, a galáxia é vista como era há 8,5 bilhões de anos, período em que o Universo ainda atravessava fases iniciais de desenvolvimento.
De acordo com os astrônomos, o nível de detalhamento alcançado pelo Webb supera observações anteriores e abre caminho para investigar de que maneira condições extremas impactaram o crescimento e a transformação dessas gigantes estruturas cósmicas.
LEIA: Indústria musical pode perder até 24% da receita com avanço da IA, alerta Unesco
Em resumo:
* O James Webb registrou uma rara galáxia do tipo água-viva;
* A COSMOS2020-635829 é observada como existia há 8,5 bilhões de anos;
* A pressão exercida pelo aglomerado removeu parte do gás da galáxia;
* Filamentos apresentam estrelas jovens formadas fora do disco principal;
* O achado sugere que ambientes antigos eram mais intensos do que se estimava.
A COSMOS2020-635829 integra o grupo das chamadas galáxias-medusa, conhecidas por exibirem extensos filamentos de gás que lembram tentáculos. Essas estruturas surgem quando a galáxia atravessa um aglomerado e sofre forte compressão, o que provoca a perda de parte de seu material gasoso.
O fenômeno recebe o nome de “arrancamento por impacto”. Ele acontece quando a galáxia se desloca rapidamente por um meio denso – comparável a um vento cósmico – que remove seu gás. Esse material deslocado forma longas trilhas atrás da galáxia, criando a aparência que remete a uma água-viva flutuando no espaço.
Forma incomum chamou atenção dos cientistas
A identificação ocorreu a partir de dados coletados na região conhecida como campo COSMOS, uma área do céu amplamente investigada por pesquisadores. Situada longe do plano da Via Láctea, essa região sofre menor interferência de estrelas e poeira, o que a torna ideal para a observação de objetos muito distantes.
Segundo Ian Roberts, pesquisador do Centro de Astrofísica de Waterloo, no Canadá, a equipe examinava um vasto conjunto de informações em busca de exemplares ainda não catalogados. Logo no início da análise, a galáxia se destacou tanto pelo formato incomum quanto pela escassez de registros prévios.
A imagem captada pelo JWST revela que o disco principal da galáxia guarda semelhanças com o de galáxias atuais. Contudo, os filamentos gasosos chamam atenção por apresentarem pontos azulados intensos. Esses brilhos indicam a presença de estrelas jovens formadas fora do disco central, no material que foi arrancado.
Resultado surpreendeu pesquisadores
A constatação contrariou expectativas. Até então, acreditava-se que os aglomerados de galáxias existentes há 8,5 bilhões de anos não produzissem pressão suficiente para desencadear esse tipo de processo com tanta frequência. A nova evidência aponta que esses ambientes já eram mais agressivos do que se imaginava.
Agora, os cientistas pretendem aprofundar o estudo da COSMOS2020-635829 com novas observações feitas pelo JWST. A meta é esclarecer como as galáxias passaram por transformações no início do Universo e por que muitas delas interromperam a formação de novas estrelas ao longo do tempo.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/benzoix)