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Meta e TikTok flexibilizaram moderação em prol de audiência, dizem denúncias

Denúncias de funcionários e ex-funcionários apontam que plataformas teriam flexibilizado regras de moderação para impulsionar audiência

Meta e TikTok – Diversos relatos de funcionários e ex-funcionários da Meta e TikTok indicam que as duas empresas teriam adotado práticas que ampliaram a presença de conteúdos potencialmente nocivos em suas plataformas como uma estratégia para manter os seus usuários engajados e ativos. As informações foram reunidas pela BBC a partir de entrevistas com mais de uma dezena de fontes ligadas ao setor.

De acordo com os depoimentos, conteúdos considerados “limítrofes”, ou seja, que não violam diretamente as políticas de cada plataforma, mas incluem discurso de ódio, teorias conspiratórias e materiais potencialmente prejudiciais, passaram a aparecer com maior frequência nos feeds. Um ex-engenheiro da Meta afirmou que essa mudança teria sido impulsionada por pressões comerciais, como a queda no valor das ações e a necessidade de competir com o crescimento do TikTok.

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A concorrência por atenção do público, intensificada após a popularização dos vídeos curtos, é apontada como um dos principais fatores por trás dessas decisões. O lançamento do Reels no Instagram, em 2020, teria ocorrido, segundo relatos internos, com mecanismos de proteção ainda insuficientes. Estudos conduzidos pela própria Meta indicavam maior incidência de bullying, discurso de ódio e violência nesse formato em comparação com outras áreas da plataforma.

Documentos internos também sugerem que os algoritmos favorecem conteúdos capazes de provocar reações emocionais intensas, como indignação. Esse tipo de material tende a aumentar o tempo de permanência dos usuários e, consequentemente, a receita publicitária, embora possa trazer impactos negativos ao bem-estar do público.

No caso do TikTok, um funcionário da área de confiança e segurança, identificado pela BBC como “Nick”, relatou dificuldades para lidar com o grande volume de denúncias. Segundo ele, conteúdos envolvendo figuras políticas frequentemente recebiam prioridade em detrimento de materiais prejudiciais relacionados a menores de idade, como forma de evitar pressões regulatórias.

O denunciante também afirmou que cortes e reestruturações nas equipes de moderação, incluindo a substituição parcial de funções por sistemas de inteligência artificial, reduziram a capacidade de resposta da plataforma. Como consequência, conteúdos ligados a violência, abuso e até terrorismo teriam ganhado mais visibilidade.

Outro ex-engenheiro do TikTok destacou que os sistemas de recomendação operam como uma “caixa-preta”, o que dificulta o controle direto sobre o que é exibido aos usuários. Segundo ele, enquanto os algoritmos tratam conteúdos como dados abstratos, a responsabilidade por remover materiais nocivos fica a cargo de equipes separadas, uma divisão que nem sempre funciona de forma eficiente.

Usuários, especialmente adolescentes, também relatam dificuldades em evitar conteúdos problemáticos. Mesmo com o uso de ferramentas de personalização, muitos afirmam continuar sendo expostos a materiais violentos ou ofensivos. Em casos mais extremos, há relatos de jovens que dizem ter sido influenciados por conteúdos que reforçam sentimentos de raiva ou visões extremistas.

Autoridades de segurança no Reino Unido apontam ainda um aumento na circulação e normalização de conteúdos racistas, violentos e extremistas nas redes sociais, com possíveis impactos no comportamento coletivo.

O que dizem as empresas

Ambas as empresas negam as acusações. A Meta afirmou à BBC que não promove deliberadamente conteúdos nocivos e destacou os investimentos realizados em segurança e proteção dos usuários. Já o TikTok contestou as alegações e afirmou que mantém sistemas robustos de moderação, além de ferramentas voltadas à segurança de adolescentes.

(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/thicha2707)

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