Pelas novas regras, os funcionários poderão suspender temporariamente o monitoramento (Foto: Reprodução/Magnific/DCstudio)
Monitoramento de funcionários – A Meta anunciou mudanças em seu programa de coleta de dados de funcionários após semanas de críticas internas. A iniciativa, criada para reunir informações que possam ser utilizadas no treinamento de modelos de inteligência artificial, continuará em funcionamento, mas passará a oferecer mais opções de controle aos trabalhadores.
As alterações foram comunicadas em um memorando interno assinado por Stephane Kasriel, vice-presidente da divisão Superintelligence Labs, responsável pelo desenvolvimento de sistemas de IA da companhia. Segundo o documento, funcionários poderão interromper a captura de dados por períodos de até 30 minutos e, em alguns casos, solicitar exclusão do programa.
O sistema havia sido apresentado pela empresa no mês anterior com o objetivo de registrar movimentos de mouse, cliques e digitações realizados nos computadores corporativos. A proposta integra um esforço mais amplo da Meta para desenvolver agentes de inteligência artificial capazes de executar tarefas de trabalho de forma autônoma.
A iniciativa gerou forte reação entre os funcionários. Alguns empregados chegaram a comparar a empresa a uma estrutura voltada à extração de dados dos próprios trabalhadores. Também surgiram reclamações sobre o impacto do software no desempenho dos computadores, no consumo de bateria e no uso de internet doméstica.
No memorando, Kasriel afirmou que a empresa implementou ajustes para reduzir o consumo de energia e de dados. “Embora continuemos confiantes nas proteções de privacidade que colocamos em prática no lançamento, que passaram por várias camadas de revisão de risco, ouvimos suas preocupações sobre dados pessoais em dispositivos de trabalho, duração da bateria e o desejo de ter mais controle sobre quando a captura acontece”, afirmou.
Pelas novas regras, os funcionários poderão suspender temporariamente o monitoramento quando precisarem acessar conteúdos pessoais. Além disso, um grupo restrito de empregados terá a possibilidade de solicitar dispensa do programa. Entre eles estão trabalhadores remotos com limitações de conexão, profissionais que lidam com materiais considerados sensíveis e pessoas que frequentemente trabalham longe de fontes de energia para seus equipamentos.
Apesar das mudanças, a maior parte dos funcionários continuará sujeita à coleta de dados. A Meta sustenta que as informações capturadas não são utilizadas para monitoramento de desempenho ou vigilância individual, mas para melhorar o treinamento de seus sistemas de inteligência artificial.
O programa, conhecido internamente como Model Capability Initiative (MCI), foi anunciado pouco antes de uma reestruturação que incluiu a demissão de milhares de funcionários e a transferência de outros para áreas ligadas à inteligência artificial.
Durante uma reunião com empregados, o CEO Mark Zuckerberg defendeu a iniciativa. Segundo ele, observar como profissionais experientes utilizam computadores pode acelerar o aprendizado dos modelos de IA. “Observar pessoas realmente inteligentes fazendo coisas” é a melhor forma de acelerar o aprendizado dos modelos de IA, afirmou.
Zuckerberg também buscou afastar preocupações sobre vigilância. “Nenhum dos dados está sendo usado para olhar o que as pessoas estão fazendo, ou vigilância, ou acompanhamento de desempenho, ou qualquer coisa assim. É puramente, estamos usando isso para alimentar uma quantidade muito grande de conteúdo no modelo de IA, para que ele possa aprender como pessoas inteligentes usam computadores para realizar tarefas. Eu acho que isso vai ser uma vantagem muito grande se conseguirmos fazer isso.”
O executivo acrescentou que, caso os resultados sejam positivos, a empresa poderá ampliar iniciativas semelhantes no futuro.
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(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Magnific/DCstudio)
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