Novo fundo do BNDES mira expansão da IA e de data centers no país
BNDES – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prepara o lançamento, no início de 2026, de um fundo de investimentos voltado ao estímulo de projetos de inteligência artificial (IA) e de infraestrutura de data centers no país.
A iniciativa, que busca apoiar a modernização tecnológica e fortalecer a base digital brasileira, foi confirmada por Nelson Barbosa, diretor de planejamento e relações institucionais do banco, durante evento no Rio de Janeiro em 1º de dezembro. A divulgação ocorreu durante a abertura da primeira Semana de Economia Brasileira, organizada em conjunto com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas.
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Embora o montante total ainda esteja em definição, a expectativa é que o fundo receba aportes entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, com anúncio oficial previsto para os primeiros meses de 2026. O objetivo é fomentar investimentos estratégicos e de longo prazo em áreas consideradas essenciais para a transformação digital do país.
O modelo de operação seguirá lógica semelhante à adotada no fundo de minerais críticos, estruturado em parceria com a Vale e gerido por um consórcio formado por BB Asset, JGP e ORE. Nesse caso, o BNDES investiu R$ 500 milhões e busca atrair até R$ 1 bilhão adicionais de outros interessados.
Segundo Barbosa, a arquitetura do novo veículo deve repetir essa estrutura, com o BNDES e um parceiro inicializando o fundo com cerca de 25% cada. Depois disso, será publicado um edital para selecionar a gestora responsável pelos recursos.
A criação da iniciativa ocorre em um momento de expectativa de redução da taxa Selic, movimento que, na avaliação de Barbosa, tende a impulsionar os investimentos no país — especialmente em tecnologia e infraestrutura.
Ele afirma que a queda dos juros no começo de 2026 pode aumentar a procura por aportes de médio e longo prazo, elevando também a demanda por linhas de financiamento voltadas a esses setores.
Mesmo com o novo fundo, o banco mantém suas projeções já definidas para os próximos anos. A instituição trabalha para elevar as aprovações de crédito para 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, podendo alcançar esse mesmo patamar até 2028.
Os desembolsos também devem acompanhar a expansão, chegando a 1,5% do PIB em 2026, com foco em financiamentos de longo prazo considerados essenciais para o desenvolvimento sustentável da economia.
Barbosa também comentou a tramitação da Medida Provisória do Brasil Soberano, que destina R$ 30 bilhões em crédito a empresas impactadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A MP expira na próxima semana caso não avance no Congresso Nacional, e o BNDES segue monitorando a situação.
Apesar da incerteza, o banco avalia que condições especiais de financiamento devem ser mantidas para o segmento exportador, considerado crucial para a adaptação do setor produtivo ao novo cenário internacional.
O fundo de IA e data centers reforça a estratégia do BNDES de acelerar o desenvolvimento tecnológico do país. A inteligência artificial, cada vez mais presente em diferentes cadeias produtivas, representa uma oportunidade de ganho de competitividade para áreas como agronegócio, saúde, indústria e serviços.
A expectativa é que o novo mecanismo de investimento ajude a criar um ambiente favorável para projetos robustos e inovadores. Além disso, a expansão e modernização de data centers é vista como indispensável diante do aumento exponencial da demanda por armazenamento, processamento e circulação de dados.
Serviços de nuvem, Big Data e soluções digitais diversas dependem diretamente dessa infraestrutura para ganhar escala, e o fundo pretende estimular a instalação e a atualização desses equipamentos no país.
A iniciativa também se alinha à política governamental de ampliar investimentos em setores considerados estratégicos para o futuro econômico. Com o lançamento do fundo, o BNDES pretende atrair novos investidores para o ecossistema de inovação e contribuir para a aceleração da digitalização no Brasil.
O país atravessa um período de desafios combinados com oportunidades. A possível redução da Selic, somada à criação de novos mecanismos de investimento, pode destravar projetos de alta tecnologia e ampliar a modernização industrial.
Ao mesmo tempo, tensões no comércio internacional — como as tarifas impostas pelos EUA — exigem que as empresas brasileiras se adaptem rapidamente, movimento que o BNDES busca facilitar por meio de suas linhas de financiamento. Nesse contexto, o banco de fomento se posiciona como peça-chave na evolução da infraestrutura digital e no fortalecimento da inovação no Brasil.
Com o novo fundo, o BNDES reforça sua aposta em setores de futuro, contribuindo para a competitividade das empresas brasileiras e alinhando o país às tendências globais da economia digital.
(Com informações de ItShow e BNDES)
(Foto: Reprodução/Freepik/DC Studio)
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