Polícia Civil desarticula plataforma que vendia dados sigilosos e movimentou R$ 7 milhões. (Foto: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Dados pessoais – Dados de processos judiciais, informações fiscais e registros pessoais estavam entre os conteúdos disponibilizados por uma plataforma clandestina investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal. O serviço, chamado Mind-7, cobrava mensalidades para permitir consultas a partir de números de CPF ou CNPJ e, segundo a investigação, era utilizado por organizações criminosas para preparar golpes personalizados.
O sistema produzia relatórios com informações como nome, filiação, endereço, registros de documentos, vínculos pessoais e processos judiciais em andamento. O banco reunia centenas de milhões de registros individuais, obtidos por meio de brechas em sistemas e de vazamentos anteriores.
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A existência de informações protegidas por sigilo fiscal também foi identificada pelos investigadores.
“Eram dados sensíveis, inclusive governamentais, por exemplo, dados de Receita Federal, dados de processos judiciais. E alimentavam essa plataforma para que estivessem ali à disposição. Cobravam uma mensalidade para as outras organizações criminosas praticarem diversos crimes cibernéticos”, afirmou o delegado-chefe da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), João Guilherme Carvalho, em entrevista à TV Globo, reproduzida pelo portal g1.
Dados eram usados para abordar vítimas
De acordo com o inquérito, a possibilidade de reunir informações sobre uma pessoa em um único relatório ajudava os criminosos a construir abordagens específicas. Entre as fraudes identificadas estava o golpe em que o criminoso se apresentava como advogado da vítima.
Para tornar a abordagem convincente, o fraudador utilizava dados reais de uma ação judicial em andamento. Depois, entrava em contato com a pessoa e afirmava ser seu representante jurídico oficial. A vítima era então orientada a fazer depósitos antecipados, apresentados como necessários para liberar valores que estariam retidos na Justiça.
A investigação também identificou uma organização interna dividida entre 13 integrantes. As funções incluíam liderança, administração financeira, desenvolvimento da plataforma, aquisição de bancos de dados vazados, execução das fraudes e gerenciamento de contas de laranjas.
O grupo contava ainda com uma área responsável pela divulgação do serviço e pela conquista de novos clientes. Segundo a polícia, os investigados estavam finalizando uma segunda plataforma que seguiria o mesmo modelo de negócio.
Investigação aponta movimentação de R$ 7 milhões
Os levantamentos financeiros realizados pela polícia indicam que a organização movimentou mais de R$ 7 milhões entre março de 2021 e março de 2026. Desse montante, mais de R$ 4 milhões foram movimentados nas contas da quadrilha apenas no ano passado.
Para ocultar os recursos e dificultar o trabalho das autoridades, os investigados utilizavam uma empresa de fachada, contas bancárias coletivas e transferências trianguladas envolvendo moedas digitais.
A estrutura foi alvo da Operação Perseu 7, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal nesta quinta-feira (24). Mais de 80 policiais civis foram mobilizados para cumprir as medidas determinadas pela Justiça em São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco.
Ao todo, foram autorizados 13 mandados de prisão temporária e medidas de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos até o limite de R$ 7 milhões, além da retirada imediata do Mind-7 do ar.
As medidas alcançam imóveis, veículos de luxo e uma embarcação relacionados aos investigados.
Os alvos da operação podem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo de informática e estelionato. Somadas, as penas máximas previstas para esses crimes ultrapassam 36 anos de prisão.
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(Com informações de Tecmundo)
(Foto: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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