Pesquisa internacional – A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) participa de uma pesquisa internacional que busca entender como gases de efeito estufa se distribuem pela atmosfera e quais são suas principais fontes em Mato Grosso. O trabalho faz parte da missão HALO / CoMet 3.0 Tropics, realizada em parceria com instituições brasileiras e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR).
A pesquisa utiliza uma aeronave adaptada como laboratório para realizar medições de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) sobre áreas do Pantanal, Cerrado e Amazônia. A partir dos dados coletados, os pesquisadores pretendem diferenciar as emissões naturais daquelas relacionadas a atividades humanas, como queimadas e agropecuária.
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A participação da Unemat ocorre por meio dos programas de pós-graduação em Ciências Ambientais (PPGCA), Geografia (PPGGeo) e Gestão e Regulação de Recursos Hídricos (ProfÁgua). Pesquisadores da universidade colaboram com o planejamento dos voos, realizam coletas terrestres e participam do processamento das informações obtidas durante a missão.
O estudo reúne 120 pesquisadores, divididos igualmente entre brasileiros e alemães. As informações produzidas pelos diferentes grupos serão integradas para avaliar o fluxo dos gases e também identificar se uma determinada emissão registrada em Mato Grosso teve origem no próprio Estado ou foi transportada de outras regiões.
“Essa região do Pantanal é muito crítica porque são as terras alagadas, com muita emissão de metano e dióxido de carbono. Quantificar essa emissão e usar nos modelos nos ajuda a diferenciar, por exemplo, quando uma queimada não é local e vem de fora. Muita coisa é trazida de outros países e estados, aumentando a quantidade de gás metano e CO2 que não é local. Essas medidas serão fundamentais para o Estado ter noção do que é causado por humanos e do que é natural na região”, conta o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Dirceu Herdies.
Dados do Pantanal
O Pantanal está entre as áreas de maior interesse da pesquisa devido à sua extensão de áreas alagadas e à emissão natural de metano. O professor e pesquisador da Unemat Ernandes Sobreira destaca que o bioma também recebe gases provenientes de atividades humanas.
“O Pantanal é a maior área alagável do mundo, com mais de 10 mil lagos, e tem uma contribuição muito grande na emissão natural de metano, que é um dos focos deste projeto. Associados a esses gases naturais, temos os gerados pelo ser humano, que formam uma bomba de gases, piorando o efeito estufa”, explica Ernandes Sobreira, professor e pesquisador da Unemat.
Para realizar as medições, a campanha utiliza uma Gulfstream G550 modificada pelo DLR. A aeronave, chamada HALO, funciona como um laboratório aéreo e é capaz de operar em grandes altitudes.
HALO é a sigla para High Altitude and Long Range Research Aircraft, ou Aeronave de Pesquisa de Alta Altitude e Grande Alcance. Já CoMet significa Carbon Dioxide and Methane Mission, denominação dada ao projeto voltado ao monitoramento de dióxido de carbono e metano. O “3.0 Tropics” corresponde à terceira fase do programa, direcionada às regiões tropicais.
Segundo Andreas Fix, coordenador internacional da missão e pesquisador do DLR, a participação das instituições brasileiras é fundamental para a realização dos trabalhos em campo.
“Sem o apoio dos parceiros brasileiros, uma campanha como esta não seria possível. Precisamos do suporte em todos os aspectos: na logística, no conhecimento sobre a ecologia local e a dinâmica dos incêndios, além dos dados meteorológicos essenciais para o planejamento dos nossos voos”, enfatiza Andreas.
Além da Unemat, participam da articulação científica em Mato Grosso a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), os institutos nacionais de Pesquisas Espaciais (INPE) e de Pesquisa do Pantanal (INPP), as secretarias de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci-MT) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).
“Esta parceria garante que a tecnologia de ponta aplicada na missão seja convertida em políticas públicas e inovação local”, reforça o secretário adjunto de Desenvolvimento da Seciteci-MT, Rodrigo Zanin.
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(Com informações de Unemat)
(Foto: Reprodução/Deivid Fontes/Unemat)