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Quase 20% dos sites recentes foram criados sem intervenção humana

Quase 20% dos sites recentes foram criados sem intervenção humana

Crescimento de sites automatizados levanta alerta sobre qualidade e diversidade de conteúdo

Intervenção humana – A presença da inteligência artificial na criação de sites avança em ritmo acelerado e já começa a transformar a forma como a internet é construída e consumida. Um estudo recente revela que mais de um terço das novas páginas publicadas conta com algum nível de automação e uma fatia relevante já nasce sem qualquer intervenção humana direta.

De acordo com os dados, 35,3% dos sites criados recentemente tiveram apoio de ferramentas de IA, enquanto 17,6% foram totalmente gerados por sistemas automatizados. O recorte analisado acompanha o período de popularização da inteligência artificial generativa, o que ajuda a explicar a explosão de conteúdos produzidos por máquinas nos últimos anos.

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O cenário reacende discussões sobre a chamada “teoria da internet morta”, que sugere que grande parte da atividade online estaria sendo conduzida por bots. Embora a ideia tenha origem em debates mais especulativos, os números indicam que a automação já ocupa um espaço relevante e crescente dentro do ecossistema digital.

Mais do que o volume de sites, o impacto também se reflete na forma como o conteúdo é produzido. Ferramentas de IA vêm sendo utilizadas para criar páginas voltadas a estratégias de SEO, replicar conteúdos e até estruturar sites inteiros com pouco ou nenhum valor informativo. Em paralelo, há casos mais complexos envolvendo a produção em massa de textos com viés direcionado, o que amplia preocupações sobre desinformação e manipulação.

Apesar dos alertas, o estudo também relativiza alguns temores. O conteúdo gerado por inteligência artificial não apresentou, de forma geral, maior nível de imprecisão em comparação ao produzido por humanos. Além disso, muitos materiais ainda mantêm referências externas e estilos variados, contrariando a percepção de que seriam necessariamente genéricos ou padronizados.

O principal efeito observado, no entanto, está na redução da diversidade de ideias. Segundo os pesquisadores, conteúdos automatizados tendem a ser mais homogêneos, com menor variação de perspectivas e, em alguns casos, um tom artificialmente otimista. Esse padrão pode impactar diretamente a pluralidade que historicamente marcou a internet.

Diante desse cenário, especialistas apontam que a web não está “morrendo”, mas passando por uma transformação profunda. Para os usuários, o desafio será cada vez maior: identificar conteúdos confiáveis, diferenciar produções humanas de materiais automatizados e manter o senso crítico em um ambiente digital cada vez mais dominado por sistemas inteligentes.

(Com informações de Gizmodo)
(Foto: Reprodução/Magnific/gen_pick)

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