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Ações trabalhistas – O Rio de Janeiro consolidou-se como o segundo estado com maior número de processos trabalhistas do país entre 2024 e 2026. De acordo com levantamento do Escavador, foram registradas 457.469 ações no período, ficando atrás apenas de São Paulo, que somou 1.631.488 processos.
O volume de disputas ganha ainda mais relevância em maio, mês marcado pelo Dia do Trabalhador, e surge em um contexto de discussões nacionais sobre o fim da escala 6×1, jornadas exaustivas, saúde mental no ambiente profissional e o cumprimento das obrigações legais por parte das empresas.
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Em todo o Brasil, mais de 5 milhões de processos trabalhistas foram registrados entre 2024 e 2026. Apenas no primeiro quadrimestre deste ano, cerca de 760 mil ações já foram contabilizadas, número 2,9% superior ao observado no mesmo período de 2025. Em abril de 2026, ao menos 183 mil processos estavam em tramitação nos tribunais.
Disputa acirrada no Sudeste
O levantamento evidencia a forte concentração de ações trabalhistas na região Sudeste, responsável por 51,9% dos processos no país no período analisado, totalizando 2.620.485 casos.
No ranking estadual, São Paulo lidera com ampla vantagem, seguido pelo Rio de Janeiro, que aparece logo à frente de Minas Gerais, com 455.520 processos. A diferença entre os dois estados é pequena, reforçando o peso da região na judicialização das relações de trabalho.
A lista dos dez estados com mais processos trabalhistas entre 2024 e 2026 inclui ainda Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Goiás, Pernambuco, Santa Catarina e Ceará. Na outra ponta, o Acre registrou o menor volume, com 844 ações.
Debates sobre jornada e saúde mental impulsionam ações
O aumento dos processos ocorre em paralelo a uma intensificação dos debates sobre condições de trabalho no país. Entre os principais temas presentes nas ações estão jornada exaustiva, problemas com FGTS, férias, estágio, justa causa, aviso prévio, assédio moral e sexual, adicional de risco, gratificação, aposentadoria, seguro-desemprego, plano de saúde e trabalho aos domingos.
Ao todo, o Escavador identificou mais de 500 categorias de processos trabalhistas, o que evidencia a diversidade de conflitos levados à Justiça.
Para Dalila Pinheiro, coordenadora jurídica e DPO do Escavador, o cenário exige atenção em 2026, especialmente diante das discussões sobre a escala 6×1 e das mudanças na NR-1, que passam a incluir riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
“A preocupação, neste momento, é não repetir a escalada de 8,5% do número de processos, no comparativo entre 2024 e 2025. No entanto, a oscilação do humor do mercado, com as discussões do fim da Escala 6×1 e as alterações da NR-1, com os riscos psicossociais agora avaliados durante o expediente, podem fazer com que o ano de 2026 seja um marco no número de processos da classe trabalhista”, explica Dalila Pinheiro.
Mais empregos, mais disputas
O avanço das ações trabalhistas também acompanha a dinâmica do mercado de trabalho. Segundo dados do Novo Caged, o Sudeste gerou 504 mil vagas formais em 2025, liderando a criação de empregos no país.
Ao mesmo tempo, a região também concentra o maior número de queixas trabalhistas. Depois do Sudeste, aparecem o Nordeste, com 909.288 processos; o Sul, com 770.709; o Centro-Oeste, com 427.891; e o Norte, com 314.826.
Para Dalila Pinheiro, o crescimento das ações também reflete um trabalhador mais consciente de seus direitos.
“Isso contribui para um aumento na busca por informações e na formalização das denúncias, refletindo uma maior conscientização no ambiente de trabalho. Em contrapartida, empresas e o setor público também podem mapear as principais denúncias relacionadas ao trabalho, implantando soluções inteligentes e efetivas na raiz do problema”, afirma Dalila Pinheiro.
(Com informações de Diário do Rio)
(Foto: Reprodução/Magnific/mehaniq)
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