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Rio lança IA própria de código aberto que compete com modelos internacionais

Rio lança IA – A Prefeitura do Rio de Janeiro deu um novo passo em sua estratégia de tecnologia ao lançar o Rio 3.5 Open 397B, um modelo de inteligência artificial de grande porte desenvolvido pela IplanRio, empresa municipal de tecnologia. Disponibilizada em código aberto sob licença MIT, a ferramenta coloca uma estatal brasileira em um segmento atualmente liderado por gigantes do setor, como OpenAI, Google, Alibaba e DeepSeek.

O lançamento chamou atenção pela divulgação de benchmarks que indicam desempenho superior ao do Qwen, modelo aberto da Alibaba utilizado como base para o projeto. Apesar dos resultados apresentados pela equipe responsável, a comparação ainda depende de validação independente por pesquisadores externos.

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Segundo a descrição oficial publicada no Hugging Face, plataforma que reúne modelos de inteligência artificial abertos, o Rio 3.5 Open 397B não foi treinado do zero. O sistema passou por um processo de pós-treinamento a partir do Qwen 3.5 397B, envolvendo adaptação, refinamento e ajustes na estratégia de inferência sobre a estrutura original desenvolvida pela empresa chinesa.

O modelo reúne aproximadamente 807 GB distribuídos em 97 arquivos de pesos. Sua arquitetura segue o conceito Mixture-of-Experts, com 397 bilhões de parâmetros totais e cerca de 17 bilhões ativados a cada token processado. A abordagem permite reduzir custos operacionais, já que apenas parte dos parâmetros é utilizada simultaneamente durante a execução.

A iniciativa é liderada por João Cabaretta, diretor-presidente da IplanRio, e por Rafael Coelho, cientista-chefe do projeto. A decisão de disponibilizar os pesos de um modelo de IA desenvolvido por uma empresa municipal é considerada incomum e abre espaço para discussões sobre o papel dos governos locais na criação de soluções próprias de inteligência artificial.

A trajetória do Rio 3.5 Open teve início em abril de 2026, quando a Prefeitura do Rio apresentou a plataforma Rio 3 Open durante o III Ciclo do Sandbox.Rio, programa voltado à experimentação de tecnologias emergentes. Na ocasião, foi anunciada uma família de seis modelos de linguagem construída a partir do Qwen. A versão 3.5, lançada em junho, representa uma evolução dessa base.

De acordo com a administração municipal, a primeira geração da IA exigiu investimento de R$ 500 mil, valor descrito como cerca de 30 vezes inferior ao custo de uma solução de inteligência artificial adquirida pronta no mercado. Até o momento, não foi divulgado o montante investido especificamente no desenvolvimento do Rio 3.5.

Os ganhos de desempenho apresentados pela equipe aparecem em benchmarks, testes utilizados para medir o comportamento de modelos de IA em tarefas específicas. Embora sirvam como referência técnica, esses resultados não são considerados prova definitiva de superioridade, uma vez que dependem da metodologia empregada, das configurações adotadas e da possibilidade de reprodução por terceiros.

Segundo os responsáveis pelo projeto, os avanços decorrem de duas etapas principais. A primeira foi o pós-treinamento realizado sobre o Qwen, com o objetivo de aprimorar respostas para determinados tipos de tarefa. A segunda envolveu a adoção da técnica SwiReasoning, que modifica a forma como o modelo organiza seu raciocínio antes de gerar respostas.

Em uma discussão publicada no Hugging Face, um integrante da equipe informou que, no benchmark IMOAnswerBench, o Qwen original alcançava 80,9 pontos. Após o treinamento adicional, o desempenho subia para 84,5 pontos. Com a ativação da camada de raciocínio latente, o resultado chegava a 89,5 pontos.

Os próprios dados divulgados indicam que parte desse ganho depende da camada adicional de raciocínio, recurso que não está disponível em todos os programas utilizados para executar modelos de IA. Ferramentas populares de inferência, como o llama.cpp, por exemplo, não implementariam essa funcionalidade.

Também permanecem algumas questões técnicas em aberto. Entre elas está a janela de contexto do sistema. Enquanto a configuração efetiva aparece como 262 mil tokens, o anúncio menciona a possibilidade de alcançar 1 milhão de tokens por meio de técnicas adicionais de escalonamento.

Diante desse cenário, a interpretação mais cautelosa é que a Prefeitura do Rio conseguiu disponibilizar um modelo de inteligência artificial de grande escala, com licença permissiva e baseado no Qwen, apresentando resultados promissores que ainda aguardam validação independente. Mesmo que futuras análises alterem sua posição em rankings de desempenho, o projeto já se destaca por inserir um governo municipal brasileiro no debate sobre desenvolvimento de IA.

A iniciativa também amplia discussões relacionadas à soberania tecnológica, ao controle de dados, aos custos de infraestrutura e à dependência de plataformas privadas na formulação de políticas públicas de inteligência artificial.

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(Com informações de Exame)

(Foto: Reprodução/Imagem gerada com IA)

Pedro Carneiro

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Pedro Carneiro
Tags: sindical sindierj

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