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Robô com IA que cozinha e lava louça vence prêmio internacional de robótica

Robô com IA – Avanços recentes em robótica e inteligência artificial (IA) vêm transformando ideias que antes pareciam distantes em soluções concretas. Um exemplo é uma cozinha automatizada que conquistou o Robotics Award 2026, premiação internacional do setor entregue na cidade de Hannover, na Alemanha.

Desenvolvido pela empresa alemã GoodBytz, sediada em Hamburgo, o sistema precisa de uma participação humana mínima: basta abastecer o equipamento com ingredientes frescos ou semipreparados e selecionar o prato desejado em um cardápio digital. A partir daí, o robô utiliza recursos de automação e IA para realizar todo o processo de preparo.

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O equipamento organiza os ingredientes nas panelas, determina automaticamente o tempo e a temperatura de cozimento, mexe os alimentos durante o preparo para garantir o ponto ideal, monta os pratos e ainda executa a lavagem da louça ao final. A cozinha robótica foi criada em 2021.

Feira internacional de tecnologia

A premiação ocorreu no final de fevereiro durante um evento que antecipou anúncios da Hannover Messe, considerada a maior feira de tecnologia industrial do planeta. A edição deste ano ocorrerá entre os dias 20 e 24 de abril, também em Hannover, cidade de cerca de 550 mil habitantes no norte da Alemanha.

O Brasil será o país homenageado da feira. Além de robótica e inteligência artificial, o evento deve apresentar novidades em áreas como digitalização, automação industrial, descarbonização e energia limpa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão Friedrich Merz confirmaram presença na abertura.

Aplicações além dos restaurantes

Durante a cerimônia de premiação, o cofundador e CEO da GoodBytz, Hendrik Susemihl, explicou que o projeto foi concebido com usos mais amplos do que apenas cozinhas comerciais de restaurantes.

“Quando pensamos em robótica e comida, pensamos muito em infraestrutura. Então, eu não penso apenas em restaurantes. Penso em hospitais, universidades e infraestrutura militar…”, afirmou.

Segundo o executivo, o sistema pode ajudar a resolver gargalos comuns no setor de alimentação, especialmente a dependência de mão de obra.

“É uma indústria extremamente dependente de trabalho humano. Todos nós já experimentamos restaurantes fechando, falta de mão de obra e também problemas de qualidade”, justificou. “Em 2026 temos robôs cozinhando para humanos, o que é realmente ótimo”, acrescentou.

Origem da ideia

Em conversa com a Agência Brasil após receber o prêmio, Susemihl contou que a criação do robô cozinheiro nasceu de uma experiência pessoal marcante.

“Meu pai sofreu um ataque cardíaco muito severo, e minha esposa e eu ficamos muito interessados em alimentação saudável e também em ensiná-lo como isso muda a vida dele e a saúde”, relembrou o empresário, que também é cofundador da empresa de robôs humanoides Neura Robotics.

Ele contou que, em algumas ocasiões, teve dificuldade para encontrar refeições saudáveis ao comer fora. Segundo o executivo, isso despertou uma reflexão sobre o fato de que o setor de refeições evoluiu menos que outras áreas da indústria.

“Por que não construir um produto que realmente possa fazer coisas recém-cozidas se tornarem massivamente adaptáveis, escaláveis, e usar robótica e IA exatamente para fazer isso?”, questionou.

Perspectivas para os próximos anos

Ao comentar sobre o futuro da tecnologia, Susemihl afirmou acreditar que a automação deve se tornar cada vez mais presente no cotidiano das pessoas ao longo da próxima década, inclusive na área de alimentação.

“As pessoas agora, claro, estão um pouco assustadas com a mudança do quadro, porque por décadas as pessoas cozinharam manualmente, e o ofício de um chef é algo muito estabelecido também na nossa cultura”, reconheceu.

Ainda assim, ele aponta que existem nichos claros para o uso dessas cozinhas automatizadas. “Onde é muito difícil encontrar pessoas ou onde simplesmente é caro demais servir, por exemplo, 50 pessoas em uma empresa que não fica perto de um centro da cidade”, explicou.

O especialista avalia que hoje existe uma divisão clara entre a gastronomia de alto padrão e o consumo cotidiano de alimentos. “O consumo básico, infelizmente, é muitas vezes de qualidade muito baixa”, afirmou.

“É isso que estamos mirando com robótica, simplesmente elevar muito isso, tornar refeições muito boas acessíveis para todos por preços justos”, concluiu.

Atualmente, entre os clientes da empresa estão o Exército dos Estados Unidos, a multinacional francesa de alimentação coletiva Sodexo, a rede de supermercados alemã Edeka e o grupo europeu de distribuição de alimentos Transgourmet.

(Com informações de Agência Brasil)
(Foto: Reprodução/Freepik)

Caio Simidzu

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Caio Simidzu
Tags: sindical

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