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Sistema com IA identifica padrões de risco no trânsito antes de tragédias

Atualização do sistema Infosiga e novo aplicativo de registro de ocorrências prometem ampliar coleta e análise de dados para antecipar riscos nas vias.

Sistema com IA – O Departamento de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) anunciou que adotará um sistema com inteligência artificial para identificar e alertar sobre riscos de acidentes em vias públicas. A iniciativa faz parte de um projeto que deve entrar em operação ainda em 2026 e que ampliará a capacidade analítica do Infosiga, sistema estadual de monitoramento da violência no trânsito.

Com a atualização, a plataforma passará a se chamar Infosiga 4.0. A nova versão pretende ampliar a leitura e o cruzamento de diferentes bases de dados, permitindo reconhecer padrões de risco relacionados ao comportamento de motoristas e pedestres antes que resultem em mortes ou ferimentos graves.

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Segundo o Detran, a inteligência artificial permitirá análises mais rápidas e complexas a partir de informações já disponíveis. “Na prática, a inteligência artificial deverá permitir cruzamentos mais complexos e rápidos entre informações já disponíveis, gerando alertas mais precisos para formulação de políticas públicas”, informou o órgão.

Entre as novidades previstas está a possibilidade de identificar vias com recorrentes colisões sem vítimas, tipo de ocorrência que atualmente não é analisado pelo sistema. A ideia é que esses dados possam servir de alerta para intervenções preventivas por parte das prefeituras antes que acidentes mais graves aconteçam.

Outra atualização, programada para maio, envolve mudanças no aplicativo utilizado por policiais militares e agentes de trânsito para registrar ocorrências. O novo formulário digital terá campos mais detalhados e estruturados, ampliando a qualidade das informações coletadas.

De acordo com Roberta Mantovani, diretora de Segurança Viária do Detran-SP, o aplicativo também será disponibilizado às prefeituras, o que deve padronizar e ampliar a coleta de dados. “Essa melhoria na coleta dados com IA vai permitir que se passe de análises reativas para preditivas. Garantirá um avanço signficativo no tratamento das informações”, afirma.

O novo formulário permitirá incluir veículos que atualmente não aparecem na base estatística, como os chamados autopropelidos, categoria que engloba patinetes e scooters elétricas. Esses modais têm crescido nas ruas e avenidas e hoje ocupam um espaço indefinido entre bicicletas elétricas e ciclomotores nas bases de registro.

Além disso, os agentes poderão registrar fatores de risco associados aos acidentes, como uso de álcool pelo condutor ou velocidade do veículo. A localização das ocorrências também será refinada por meio de geolocalização mais precisa, reduzindo distorções causadas por registros aproximados.

A classificação da gravidade das lesões das vítimas também passará por aprimoramento. Segundo Mantovani, o Detran está adotando uma metodologia desenvolvida nos Estados Unidos que permite comparar dados internacionais e melhorar a análise das lesões.

A reformulação do sistema está sendo desenvolvida em parceria técnica com a Prodesp (Companhia de Processamento de Dados de São Paulo), além da participação de empresas privadas. Parte do projeto já foi apresentada ao Detran e se encontra em fase de validação técnica e ajustes.

“As expectativas são consolidar até o fim do ano uma nova camada analítica capaz de orientar decisões com base em evidências que ainda não são tratadas pelo sistema”, informou o órgão.

O Infosiga passou por uma reformulação recente e recebeu o nome de versão 3.0 no ano passado. O sistema passou a indicar, entre outras informações, as vias mais letais do estado. Com atualização mensal, a plataforma reúne dados sobre mortes no trânsito desde 2015 e, a partir de 2019, também passou a incluir registros de acidentes não fatais.

(Com informações de Folha de S.Paulo)

(Foto: Reprodução/Freepik/jimbophoto)

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