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Tecnologia promete reduzir filas da endocrinologia no SUS em Campo Grande

SUS – Uma nova ferramenta digital começa a ser empregada para enfrentar a demanda reprimida por atendimento em endocrinologia no Sistema Único de Saúde (SUS). O município de Campo Grande iniciou um projeto piloto de teleconsultoria assíncrona que pretende qualificar o atendimento na Atenção Primária e racionalizar os encaminhamentos para especialistas, reduzindo o tempo de espera e ampliando a resolutividade nas unidades de saúde da família.

A iniciativa é realizada em parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, a Fiocruz Mato Grosso do Sul e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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A endocrinologia é uma das especialidades com maior pressão na rede pública, especialmente em casos de diabetes, distúrbios da tireoide e obesidade. Para enfrentar esse gargalo histórico, a Secretaria Municipal de Saúde lança uma nova estratégia: a teleconsultoria assíncrona, modalidade em que o médico da Atenção Primária envia o caso clínico pela plataforma digital e recebe a orientação do especialista sem necessidade de consulta presencial ou videoconferência em tempo real.

Na prática, a iniciativa fortalece a capacidade de resposta das 74 Unidades de Saúde da Família (USFs), permitindo que muitos casos sejam resolvidos na própria unidade, com apoio técnico especializado. A expectativa é otimizar fluxos, qualificar encaminhamentos e reduzir o tempo de espera por atendimento especializado.

“Essa estratégia vai organizar melhor a fila de encaminhamentos e dar mais suporte aos médicos da Atenção Primária, ampliando a capacidade de atendimento na rede”, explica a Gerente das Ações Estratégicas na APS da Sesau, Glória Araújo.

A proposta integra Estado e Município em um fluxo assistencial pactuado, com definição clara de responsabilidades institucionais e articulação direta com a Regulação Ambulatorial. A princípio, não haverá custo adicional financeiro, ou seja, serão utilizadas estruturas já existentes da SES, do Município e da Fiocruz, além da parceria técnica com a Universidade.

Nesta quarta-feira (4), durante reunião de alinhamento do projeto em Campo Grande, o técnico do Núcleo de Saúde Digital da UFSC, Marcos Aurélio Maeyama, explicou que esse projeto piloto é semelhante ao que ocorre no Estado de Santa Catarina, e vem obtendo resultados positivos em dez cidades.

“Os municípios que adotaram o modelo registraram redução de até 50% nos encaminhamentos para a atenção especializada. Tivemos locais onde filas de dois anos caíram para cerca de um mês”, revelou.

Somente em 2023, Santa Catarina realizou mais de 110 mil teleconsultorias. O técnico contou que metade dos casos foi resolvido na própria atenção básica, evitando deslocamentos e diminuindo a sobrecarga nos ambulatórios especializados, liberando vagas para quem realmente precisava do especialista.

O secretário municipal de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, destacou que a implantação da telessaúde em endocrinologia representa um avanço estratégico para ampliar o acesso aos especialistas e organizar a rede pública de atendimento.

“Esse é um projeto de vanguarda. Infelizmente, não há endocrinologistas suficientes no Brasil para atender todos os pacientes — são milhões de pessoas, especialmente diabéticos, que precisam desse cuidado. Em Campo Grande não é diferente. Se o especialista não pode estar em todo lugar, a tecnologia vai estar. A telessaúde em endocrinologia é a inovação que organiza a rede, fortalece a atenção primária e garante diagnóstico, tratamento e acompanhamento contínuo. É assim que fazemos a roda do SUS girar — com Estado, Município e União trabalhando juntos para salvar vidas.”

Telessaúde em Campo Grande

Campo Grande mantém uma rede organizada de telessaúde. Além das especialidades, as próprias Unidades de Saúde da Família também realizam serviços de telessaúde diretamente com a população do território, como teleconsultas, teleinterconsultas, telediagnóstico e telemonitoramento, promovendo mais acesso, agilidade e continuidade no cuidado.

Atualmente, todas as 74 Unidades de Saúde da Família contam com teleinterconsulta síncrona em cardiologia e angiologia, além de telepsicologia. Também há oferta de telefisioterapia em nove unidades vinculadas ao projeto TEIAS/Fiocruz, serviços de TeleECG em parceria com o HCor e ações de teleretinografia.

Desde a implantação do Núcleo Municipal de Telessaúde, mais de 7.500 teleatendimentos foram solicitados na rede.

(Com informações de Prefeitura de Campo Grande)
(Foto: Reprodução/Agência Brasil/Fernando Frazão)

Julia Stoever

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Julia Stoever
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