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Tecnologia vira pilar no agro brasileiro, que já conta com mais de 2 mil agtechs

Agro brasileiro – O Brasil registrou 2.075 startups voltadas ao agronegócio em 2025, segundo o Radar Agtech Brasil 2025, elaborado pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens. O número representa um crescimento de cerca de 5% em relação ao ano anterior, indicando uma desaceleração no ritmo de expansão, mas com avanço na qualidade tecnológica e na consolidação dos negócios.

O levantamento foi apresentado durante o Radar Agtech Summit 2026, em São Paulo, e mostra que o ecossistema passa por uma fase de maior maturidade. Após um período de forte expansão entre 2019 e 2022, impulsionado pelo interesse de investidores e pela valorização do agro, o setor agora reúne empresas mais estruturadas e menos iniciativas de curta duração.

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Segundo Aurélio Favarin, analista de inovação aberta da Embrapa e editor técnico do estudo, o perfil das startups mudou ao longo dos anos. “No passado, havia um grande volume de negócios com baixo nível de tecnologia e complexidade, como marketplaces. Hoje, soluções ligadas à automação, sensoriamento e maquinário agrícola representam um nível tecnológico mais robusto”, afirmou.

Favarin também destaca que o período recente foi marcado por uma seleção natural no mercado. “Nós vimos a consolidação de negócios mais sólidos”.

Segmentação e crescimento

As agtechs que atuam “dentro da porteira” seguem como maioria, com 852 startups em 2025. Esse grupo, voltado a soluções diretamente aplicadas no campo, mais que dobrou desde 2019, refletindo a demanda por tecnologias que entreguem resultados práticos ao produtor rural.

“Startups mais conectadas à realidade do produtor tendem a atingir maior maturidade, porque precisam entregar valor real. Senão, não tem adesão do produtor”, afirmou Favarin.

Na sequência, aparecem as startups com atuação “depois da porteira”, que somaram 841 empresas, e as voltadas para etapas “antes da porteira”, com 382. Embora estas últimas ainda sejam minoria, foram as que mais cresceram proporcionalmente desde o início do levantamento.

Tendências tecnológicas

O estudo destaca a forte presença da Inteligência Artificial no setor. Atualmente, 83% das agtechs utilizam IA em suas operações, sendo que 35% têm a tecnologia como parte central de seus produtos.

Entre os principais temas em evidência estão sustentabilidade, previsão climática, sensoriamento remoto e o uso de máquinas e drones. Também ganha destaque o segmento de “Alimentos inovadores e novas tendências alimentares”, que reúne 312 startups, indicando uma mudança no perfil de consumo e produção.

Outras áreas relevantes incluem sistemas de gestão de propriedades rurais e plataformas integradoras de dados, que reforçam a digitalização do campo.

Distribuição regional e inovação

As regiões Sudeste e Sul continuam concentrando a maior parte das agtechs do país, respondendo juntas por cerca de 79% do total. O Sudeste lidera em número absoluto de startups, com destaque para São Paulo, que reúne 845 empresas.

Por outro lado, o Sul passou a se destacar como principal polo de ambientes de inovação, concentrando 37,1% de aceleradoras, incubadoras e parques tecnológicos, com protagonismo de estados como Paraná e Rio Grande do Sul.

O relatório também aponta um movimento gradual de descentralização, com crescimento das agtechs em regiões como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Investimentos e novas prioridades

O perfil dos investimentos no setor também mudou. Dos 367 agentes de investimento identificados no país, 17,7% têm o agronegócio como prioridade, direcionando cerca de 10% de seus aportes ao setor.

Segundo o estudo, os investidores passaram a priorizar eficiência, sustentabilidade e modelos de negócio mais resilientes, em vez de crescimento acelerado.

Além disso, soluções voltadas à adaptação climática ganharam relevância, com destaque para práticas como manejo regenerativo do solo e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).

Diversidade e impacto social

A edição mais recente do Radar Agtech também ampliou o olhar sobre aspectos sociais do ecossistema, incluindo dados sobre a participação de lideranças femininas, negras e indígenas. O objetivo é acompanhar a evolução da diversidade dentro do agronegócio brasileiro, reforçando a importância de um setor mais inclusivo.

(Com informações de GC Notícias e Band)
(Foto: Reprodução/Freepik)

Caio Simidzu

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Caio Simidzu
Tags: sindical

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