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Tragédia em MG e guerra expõem avanço de desinformação com IA

Tragédia em MG e guerra expõem avanço de desinformação com IA

Avanço das ferramentas de inteligência artificial impulsiona desinformação em momentos de alta comoção pública

Desinformação com IA – Fogo no Burj Khalifa, enxurradas fora de proporção, aviões iranianos sobrevoando cidades em voos rasantes e cenas improváveis de cooperação entre animais. A escalada recente de tensão no Oriente Médio e as enchentes em Minas Gerais evidenciaram um novo patamar da desinformação digital: a propagação em larga escala de vídeos criados com inteligência artificial durante episódios de grande repercussão.

Logo após a ofensiva coordenada de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no sábado (28), começaram a circular no X registros que supostamente mostrariam bombardeios. Em um deles, o Burj Khalifa aparece tomado por chamas, como se tivesse sido atingido — fato que não ocorreu. Apenas um dos perfis responsáveis por compartilhar o material, que apresenta indícios claros de manipulação por IA, ultrapassava 1 milhão de visualizações.

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Na madrugada de segunda-feira (2), outro vídeo publicado na mesma plataforma exibia aviões sobrevoando Dubai a baixa altitude enquanto disparavam mísseis. Tratava-se novamente de conteúdo sintético — a mão de um homem apoiada na sacada entrega a artificialidade da cena. Um único perfil acumulava mais de 6,5 milhões de visualizações.

Também circulam na rede social de Elon Musk gravações de pessoas supostamente em pânico em cidades que tentam reproduzir os Emirados Árabes Unidos, além de alegados ataques a porta-aviões americanos.

Tragédia climática também vira alvo

A veiculação de informações enganosas em contextos de guerra não é novidade. Desta vez, porém, a prática também se espalhou em meio a um episódio de comoção nacional: as enchentes em Minas Gerais. No TikTok, vídeos mostravam correntezas exageradas e desmoronamentos dramáticos. Um deles superava 1 milhão de visualizações; outro se aproximava de 700 mil.

Em determinadas publicações, havia indicação de que o material fora produzido por IA. Ainda assim, os comentários revelavam reações de angústia e apreensão. Em outros casos, gravações originalmente identificadas como artificiais foram replicadas por diferentes perfis sem qualquer aviso. Algumas versões apresentavam edições para remover marcas d’água que sinalizavam a origem sintética.

Também ganharam tração vídeos emotivos de animais ilhados, em uma aparente tentativa de repetir a repercussão do caso do cavalo Caramelo, que mobilizou o país durante as enchentes no Rio Grande do Sul em 2025. Uma gravação de uma vaca transportando quatro cachorros na água acumulava quase 500 mil visualizações.

Parte desses conteúdos direcionava usuários a supostas campanhas de doação para vítimas; outros embutiam críticas a autoridades públicas.

Respostas das plataformas

Procurado, o X não respondeu aos questionamentos da imprensa. Ao GLOBO, o TikTok informou que removeu os vídeos encaminhados pela reportagem por descumprirem as regras de integridade e autenticidade da plataforma.

Em nota, a empresa afirmou:

“Essa proibição abrange conteúdo enganoso gerado por IA, teorias da conspiração prejudiciais e outras informações falsas relacionadas a segurança pública, crises ou grandes eventos cívicos, especialmente quando esse tipo de conteúdo pode incitar violência ou provocar pânico público.

É obrigatório divulgar vídeos de AIGC usando o rótulo de “conteúdo gerado por IA” ou uma legenda, marca d’água ou adesivo claros.

Mesmo com rótulos, alguns conteúdos editados ou gerados por IA ainda podem ser prejudiciais. Por isso, proibimos conteúdo gerado por IA ou conteúdo com muita edição que induza ao erro sobre um assunto de importância pública, como:

* Conteúdo apresentado como se viesse de uma fonte de notícias real;
* Um evento de crise, como um desastre natural ou conflito;
* Uma figura pública retratada como se tivesse tomado posições políticas, promovido produtos ou comentado questões públicas, mesmo sem nunca ter feito isso de verdade;
* Uma declaração de apoio ou crítica política que nunca aconteceu.”

(Com informações de O Globo)
(Foto: Reprodução/Freepik/user19739995)

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