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Usar Instagram 16 horas por dia não é vício, diz CEO da plataforma

Executivo falou em julgamento de ação movida por adolescente que acusa redes sociais de prejudicar a saúde mental

Instagram – O diretor do Instagram, Adam Mosseri, declarou em tribunal que passar até 16 horas seguidas na plataforma não deve ser automaticamente classificado como vício. Segundo ele, é preciso diferenciar um comportamento considerado excessivo de um diagnóstico médico formal.

O depoimento ocorreu durante um processo nos Estados Unidos movido por uma jovem identificada pelas iniciais K.G.M. A adolescente e sua mãe acusam empresas de tecnologia de projetarem aplicativos com mecanismos pensados para manter usuários conectados por longos períodos, causando impactos à saúde mental, sobretudo entre adolescentes.

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Ao ser informado de que a jovem chegou a registrar um pico de 16 horas em um único dia no Instagram, Mosseri avaliou que o caso indicaria um “uso problemático”, mas não necessariamente dependência clínica. Para ilustrar a diferença, afirmou que já utilizou a palavra “viciado” de forma informal ao comentar maratonas de séries, mas que isso não equivale a um quadro médico.

Durante o depoimento, o executivo também ressaltou não ser especialista em vícios. Questionado sobre denúncias feitas pela adolescente, que teria relatado cerca de 300 episódios de bullying na plataforma sem retorno satisfatório, disse não ter conhecimento específico do caso.

Mosseri reconheceu ainda que as regras relacionadas a filtros que alteram a aparência dos usuários passaram por mudanças ao longo do tempo. O recurso, alvo de críticas por incentivar padrões de beleza e afetar a autoestima, chegou a ser restringido antes de voltar a ser liberado.

Processo pode abrir precedente

A ação deve se estender por mais algumas semanas e incluir depoimentos de outros nomes de destaque do setor, como Mark Zuckerberg, presidente da Meta – empresa responsável também por WhatsApp e Facebook –, e Neil Mohan, executivo do YouTube.

Embora TikTok e Snapchat também tenham sido citados como prejudiciais na denúncia, as duas companhias firmaram acordo com a família da jovem e não participam do julgamento.

O caso é visto pelas empresas como juridicamente relevante por questionar, de forma inédita, não apenas conteúdos publicados nas plataformas, mas também o desenho das interfaces e o próprio modelo de negócios dos aplicativos. A decisão pode influenciar processos futuros nos Estados Unidos.

Para Mosseri, a escolha das palavras é central na discussão. Evitar o termo “vício”, segundo ele, não significa negar que existam comportamentos prejudiciais, mas sim afastar a ideia de que a própria rede social reconheça formalmente um efeito clínico sobre seus usuários.

(Com informações de Tecmundo)
(Foto: Reprodução/Freepik)

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