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China aposta em tecnologia verde e lança data center movido por energia eólica

Instalação alcança elevado índice de eficiência energética e integra a estratégia chinesa para expandir a inteligência artificial com menor impacto ambiental
China aposta em tecnologia verde e lança data center movido por energia eólica
A usina responsável pelo fornecimento de energia ao centro de dados gera aproximadamente 4,3 bilhões de quilowatts-hora (kWh) por ano (Foto: Reprodução/Magnific/user18989612)

Tecnologia verde – O crescimento da inteligência artificial tem elevado rapidamente a demanda global por capacidade de processamento e consumo de energia. Em resposta a esse cenário, a China colocou em funcionamento seu primeiro centro de dados voltado à IA abastecido integralmente por energia eólica. Instalado na Região Autônoma Hui de Ningxia, o empreendimento representa mais um passo da estratégia chinesa para ampliar sua infraestrutura computacional utilizando fontes renováveis.

A iniciativa faz parte de um projeto nacional mais abrangente, que busca transformar regiões do oeste do país em polos de processamento de dados sustentados por energia limpa, reduzindo os impactos ambientais provocados pela expansão acelerada da inteligência artificial.

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Centro de dados funciona com energia totalmente renovável

De acordo com informações divulgadas pelo South China Morning Post, a usina responsável pelo fornecimento de energia ao centro de dados gera aproximadamente 4,3 bilhões de quilowatts-hora (kWh) por ano.

Esse volume de eletricidade é suficiente para evitar a emissão de cerca de 3,65 milhões de toneladas de dióxido de carbono anualmente, fortalecendo os esforços do país para diminuir a pegada de carbono da infraestrutura digital.

Outro diferencial do projeto é sua eficiência energética.

A instalação registra um índice PUE (Power Usage Effectiveness) de 1,15, indicador amplamente utilizado para medir o aproveitamento da energia em data centers.Quanto mais próximo de 1,0, maior é a eficiência e menor o desperdício.

Como comparação, a pesquisa Global Data Center Survey 2025, do Uptime Institute, mostra que a média registrada pelo setor nos últimos cinco anos foi de 1,56, colocando a nova instalação chinesa em um patamar significativamente superior ao desempenho médio da indústria.

Projeto integra estratégia nacional da China

A inauguração faz parte da iniciativa conhecida como Eastern Data, Western Computing (EDWC), ou “Dados no Leste, Computação no Oeste”.

O programa prevê deslocar parte do processamento de dados das regiões costeiras para áreas do oeste chinês, onde há maior disponibilidade de energia renovável, temperaturas mais amenas e condições mais favoráveis para a implantação de grandes centros de computação.

A Região Autônoma Hui de Ningxia é considerada estratégica para esse objetivo graças à ampla oferta de energia eólica e de outras fontes limpas. Com essa política, Pequim pretende acompanhar o avanço da demanda por processamento impulsionada pela inteligência artificial, que, segundo algumas projeções, poderá dobrar até 2030.

Inteligência artificial amplia consumo global de energia

Embora utilizem tecnologia semelhante à dos data centers convencionais, as estruturas dedicadas à inteligência artificial exigem capacidade computacional muito superior.
Na prática, isso resulta em um consumo muito mais elevado de eletricidade.

Estimativas da consultoria Gartner apontam que os data centers voltados à IA deverão consumir cerca de 565 terawatts-hora (TWh) de energia elétrica ao longo de 2026.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com os impactos ambientais dessa expansão.

Um levantamento recente da seguradora Allianz estima que essas instalações emitiram aproximadamente 286 megatoneladas de dióxido de carbono em 2025. Segundo o estudo, a pegada de carbono do segmento ficou 57% acima das projeções iniciais da Agência Internacional de Energia (IEA).

Ainda de acordo com o relatório, cerca de 76% dessas emissões tiveram origem no consumo de eletricidade, tornando a fonte energética um dos principais fatores para reduzir os impactos ambientais da inteligência artificial.

Energia limpa pode tornar a IA mais sustentável

O estudo da Allianz conclui que a sustentabilidade da inteligência artificial dependerá, sobretudo, da transição das matrizes energéticas que abastecem os centros de dados.

Entre as alternativas disponíveis, a energia eólica aparece como uma das opções mais promissoras por apresentar baixas emissões de carbono e reduzido consumo de água durante sua operação.

Nesse contexto, a estratégia chinesa de combinar infraestrutura computacional de alto desempenho com geração renovável pode servir como modelo para outros países interessados em expandir sua capacidade digital sem comprometer seus objetivos climáticos.

Europa e Espanha também avançam na regulamentação

Na Europa, o crescimento dos data centers já vem acompanhado por novas exigências regulatórias.

A Diretiva Europeia de Eficiência Energética (UE) 2023/1791 determina que centros de dados com potência superior a 500 quilowatts tornem público seu consumo de energia.
Já o Regulamento Delegado (UE) 2024/1364 estabelece critérios padronizados para avaliar a eficiência de mais de 3 mil instalações distribuídas pelo continente.

Embora parte do setor considere que regras mais rigorosas possam reduzir a competitividade europeia na corrida pela inteligência artificial, especialistas defendem que a eficiência energética será um diferencial estratégico.

Para Hongpeng Lei, chefe da Divisão de Mitigação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), investir em centros de dados sustentáveis não representa um obstáculo ao desenvolvimento tecnológico, mas sim um caminho para construir uma infraestrutura digital mais resiliente e competitiva.

A Espanha também reúne condições favoráveis nesse cenário. Em 2025, mais de 55% da eletricidade produzida no país teve origem em fontes renováveis, colocando o país entre os líderes europeus em geração de energia limpa.

Mesmo assim, os desafios permanecem. Um exemplo é o complexo de data centers que a Microsoft pretende instalar na região de Aragão. Pelas estimativas atuais, o empreendimento poderá consumir mais eletricidade do que toda a comunidade autônoma, evidenciando a dimensão da demanda energética que acompanhará a expansão da inteligência artificial nos próximos anos.

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(Com informações de Gizmodo)
(Foto: Reprodução/Magnific/user18989612)

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