Robôs – A Meta está avaliando o uso de robôs para executar tarefas operacionais de manutenção em seus data centers nos Estados Unidos. As máquinas estão sendo testadas em atividades que incluem substituição de cabos de rede, manuseio de servidores e controle de energia das instalações.
A informação foi revelada por funcionários da empresa em reportagem da revista Wired. Os testes acontecem em unidades como as de Altoona, no estado de Iowa, e New Albany, em Ohio, onde a companhia analisa diferentes equipamentos para determinar como a automação pode ser aplicada às rotinas de infraestrutura.
Entre os modelos avaliados está o Kinova Gen3, equipado com um braço robótico capaz de operar servidores. Outro equipamento em teste possui quatro rodas e uma plataforma elevatória desenvolvida para auxiliar na troca de peças. Além dessas soluções, a Meta já utiliza tecnologias fornecidas por empresas como ABB e Watney Robotics.
Tecnologia ganha espaço na infraestrutura
Segundo analistas do setor, a utilização de robôs nesse tipo de ambiente tornou-se mais viável a partir de uma combinação de fatores. Entre eles estão a redução dos custos de produção de hardware, os avanços no desenvolvimento de inteligência artificial e o surgimento de startups especializadas em robótica comercial.
A expectativa é que essas tecnologias possam assumir parte das atividades operacionais realizadas atualmente por trabalhadores. Entre as possibilidades estão tarefas repetitivas, trabalhos considerados perigosos e operações em instalações ou locais de difícil acesso.
Para a empresa, entretanto, a automação não significa necessariamente uma substituição direta da mão de obra humana. O porta-voz da Meta, Francis Brennan, afirmou que a companhia continua investindo no treinamento e na contratação de pessoal. Segundo ele, existe uma escassez de profissionais qualificados para atuar no setor de infraestrutura dos Estados Unidos.
Defensores da adoção dos robôs também argumentam que as máquinas poderiam assumir tarefas mais repetitivas ou perigosas, permitindo que técnicos humanos se concentrem em atividades consideradas mais complexas. A tecnologia também poderia facilitar a operação de data centers instalados em locais de difícil acesso.
Trabalhadores demonstram preocupação
Apesar dos argumentos apresentados em favor da automação, funcionários demonstram preocupação com os possíveis efeitos sobre o mercado de trabalho.
Trabalhadores ouvidos anonimamente relataram receio de que os robôs reduzam a necessidade de determinadas funções. Segundo esses relatos, os modelos que estão sendo testados para a substituição de cabos podem ter capacidade para absorver uma parcela significativa da carga de trabalho manual de algumas atividades.
O avanço dos testes, portanto, coloca em discussão não apenas a eficiência operacional dos data centers, mas também a forma como a automação poderá modificar as funções desempenhadas pelos profissionais responsáveis pela manutenção dessas estruturas.
Automação também envolve incentivos fiscais
A discussão sobre os robôs ultrapassa os limites das instalações da Meta e chega às políticas públicas locais. Em algumas regiões, a empresa recebe isenções fiscais com base na expectativa de geração de postos de trabalho para a população local.
Com a introdução gradual de tecnologias capazes de automatizar parte das atividades operacionais, surge o questionamento sobre como ficará o equilíbrio entre os subsídios concedidos pelas cidades e o volume de empregos presenciais mantidos pela empresa.
O caso da Meta evidencia, assim, um dos principais debates relacionados à expansão da robótica e da inteligência artificial: ao mesmo tempo em que as tecnologias podem reduzir custos, assumir tarefas perigosas e enfrentar a falta de profissionais especializados, também levantam dúvidas sobre o futuro de determinadas funções e sobre os impactos econômicos da substituição gradual do trabalho manual.
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(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Magnific/creativaimages)