Eficiência das lavouras – O conhecimento agrícola que antes era transmitido de geração em geração, baseado na observação e na experiência prática, hoje conta com cálculos precisos e dados científicos nas lavouras de Mato Grosso. A incorporação de pesquisas voltadas ao campo tem transformado o uso de insumos e recursos, tornando a produção mais sustentável e eficiente.
O investimento em estudos permitiu tornar o consumo de insumos mais exato, evitando desperdícios e elevando a produtividade. As pesquisas focadas no uso consciente desses recursos são conduzidas nos Centros Tecnológicos do Araguaia e do Parecis. As unidades são mantidas pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e pelo Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro), que há dez anos investem em pesquisas científicas.
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Nos centros, especialistas trabalham para ampliar a produtividade e reduzir perdas, desenvolvendo iniciativas sustentáveis que impactam diretamente o campo e evitam o uso excessivo de insumos agrícolas.
O vice-presidente e coordenador da Comissão de Sustentabilidade da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, destacou que o principal benefício da ciência aplicada à produção é o ganho de eficiência, que possibilita produzir mais sem ampliar a área cultivada. Além disso, a tecnologia garante qualidade mesmo em solos com limitações para o cultivo de soja e milho.
“O principal benefício do uso da ciência e da tecnologia aplicados na produção, com certeza, é o ganho de eficiência. Conseguimos produzir mais em menos áreas, cada vez mais barato, cada vez com mais abundância e isso evita que novas florestas precisem ser desflorestadas para que a produção de alimento cresça. Conseguimos dessa forma atender toda a população com alimento de qualidade em abundância, a um preço muito competitivo e acessível. Temos ganhos em dois eixos, o eixo ambiental e o eixo social”, disse.
Bier ressaltou ainda que a pesquisa brasileira é pioneira nos estudos voltados ao solo e às cultivares em clima tropical. Segundo ele, Mato Grosso possui vantagens como solos mais planos e clima favorável, fatores que contribuíram para o destaque do estado na produção nacional.
“Isso tudo foi construído com sabedoria e a maioria delas desenvolvidas por pesquisadores brasileiros e em solo brasileiro. Nós temos que lembrar que a agricultura mato-grossense é uma agricultura tropical e não existe nenhum país tropical que seja uma potência agrícola no mundo, a não ser o Brasil. Então nós não tivemos espelhos para copiar toda a tecnologia e toda a maneira de se fazer a agricultura aqui no Centro-Oeste”, relatou orgulhoso.
Para evitar que produtores assumam riscos ao testar novas técnicas diretamente em suas propriedades, os CTECNOs realizam experimentos com diferentes cultivares, híbridos de milho, tipos de solo e insumos. Os resultados são apresentados aos agricultores com o objetivo de reduzir perdas e ampliar a eficiência produtiva.
O pesquisador e coordenador do CTECNO Parecis, Rodrigo Hammerschmitt, explicou que diversos manejos são testados e compartilhados durante visitas técnicas, orientando os produtores sobre práticas mais eficientes.
“Através desses experimentos nas estações de pesquisa conseguimos direcionar o produtor para que erre menos. Um caso específico que testamos na estação de pesquisa é o uso de plantas de cobertura em solos arenosos. Já temos o entendimento que solos mais arenosos, abaixo de 15% de argila, não têm aptidão para fazer duas culturas. E conseguimos observar, usando soja em sucessão a uma planta de cobertura, como a braquiária, mais rentabilidade por hectare”, explicou.
Ao longo dos anos, a repetição dos manejos e o acúmulo de dados permitem que produtores acompanhem, de forma prática, os resultados obtidos. Os efeitos das técnicas adotadas podem ser observados ano a ano, possibilitando previsões mais seguras sobre práticas implementadas no presente. Os dados são divulgados durante visitas técnicas e publicados em formato de circular no site da Aprosoja Mato Grosso.
“Quem acompanha a execução desses trabalhos, que participa do dia de campo, acompanha as divulgações dos trabalhos científicos, consegue ter esse entendimento e consegue ter a conscientização de que muitas vezes o produtor pode estar tendo um prejuízo na propriedade. Quem acompanha a rotina dos centros de pesquisa consegue melhorar da porteira para dentro e muitas vezes economizar no uso de recursos, podendo direcionar para outras partes da fazenda, no intuito de trazer a maior rentabilidade dentro da sua propriedade”, finalizou.
O produtor rural e delegado do núcleo de Jaciara, Alberto Chiapinotto, afirmou que participa anualmente das visitas técnicas ao CTECNO Parecis. Após observar os resultados obtidos em solos arenosos, adotou técnicas para ampliar a produtividade e aumentar a assertividade no cultivo da soja. Assim como Bier, ele destacou a importância da pesquisa para consolidar o Brasil entre os principais produtores mundiais.
“Sou convicto em dizer que investir em tecnologia é o investimento mais correto que se tem na lavoura. Sem a pesquisa, nós não teríamos esse progresso, essa evolução que está acontecendo hoje. Sem a pesquisa, nós não teríamos sobrevivido até o momento, o Mato Grosso ou o Brasil teria saído dos negócios de produção de alimentos. Por isso, nós temos que levar muito em consideração as pesquisas e colocar isso em prática”, afirma.
(Com informações de Agrolink)
(Foto: Reprodução/Agência Brasil/CNA/Wenderson Araujo/Trilux)