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Falha no ChatGPT criava canal oculto para acessar dados de outras contas

Canal oculto – Pesquisadores da Check Point Research (CPR), divisão de inteligência de ameaças da Check Point Software, encontraram uma vulnerabilidade no ChatGPT que poderia permitir a um invasor utilizar a sessão de outro usuário para consultar dados de serviços conectados à conta, entre eles o Gmail. A descoberta foi divulgada nessa quarta-feira (9).

O problema não dependia do roubo de credenciais ou da invasão direta de uma conta. Segundo a investigação, o atacante poderia fazer com que a sessão da vítima consultasse informações de serviços vinculados e transmitisse os resultados de maneira discreta. Enquanto isso, a conversa apresentada ao usuário continuaria aparentando funcionar normalmente.

LEIA: Agentes de IA da OpenAI usaram sites de terceiros como canais improvisados de comunicação

Canal oculto entre ambientes isolados

A origem da vulnerabilidade estava nos ambientes empregados pelo ChatGPT para executar código. Esses ambientes foram desenvolvidos para funcionar de maneira independente, mas a CPR descobriu que todos podiam acessar um mesmo serviço interno usado para disponibilizar pacotes de software.

Uma característica desse serviço fazia com que dados registrados em um ambiente pudessem ser consultados a partir de outro, inclusive quando as sessões pertenciam a contas diferentes. Dessa forma, ambientes que deveriam permanecer isolados acabavam dispondo de um meio de comunicação entre si.

Durante a investigação, os pesquisadores identificaram como elemento central uma instância interna do JFrog Artifactory, utilizada pelo ChatGPT para obter dependências necessárias à execução de código. A CPR constatou que determinadas propriedades dos itens armazenados na plataforma podiam ser alteradas por um ambiente e posteriormente acessadas por outro. Os pesquisadores compararam o mecanismo a uma espécie de área de transferência compartilhada entre ambientes que deveriam estar isolados.

Como o ataque funcionava

Com esse canal disponível, os pesquisadores desenvolveram uma forma de executar tarefas de maneira escondida. Uma instrução preparada pelo invasor fazia o ChatGPT processar uma sequência adicional de comandos simultaneamente à conversa que aparecia para o usuário.

Assim, o sistema continuava respondendo à solicitação apresentada na interface, mas também recebia instruções externas, realizava ações utilizando os recursos disponíveis na sessão da vítima e enviava os resultados por meio do canal oculto.

Para comprovar o impacto da falha, a CPR colocou a instrução maliciosa em uma conversa compartilhada. A vítima precisava apenas abrir o link e enviar uma mensagem comum. O ChatGPT respondia ao pedido visível e, paralelamente, acessava o Gmail conectado à sessão para buscar as informações determinadas pelo atacante.

Essa atividade não era exibida na resposta apresentada ao usuário. O único sinal específico identificado pelos pesquisadores era a pequena indicação “Talked to Gmail” exibida acima da resposta.

A CPR identificou três caminhos pelos quais uma instrução maliciosa poderia alcançar a sessão da vítima: um comando enviado diretamente, uma conversa compartilhada ou a configuração de um GPT personalizado.

Além de informações do Gmail, o mecanismo poderia permitir a obtenção do histórico de conversas e de arquivos acessíveis no ambiente de execução. A extensão do possível acesso dependia dos serviços vinculados à conta e das respectivas permissões. Entre as aplicações que podem ser conectadas ao ChatGPT estão Gmail, Google Drive, Microsoft Teams e GitHub.

Novo risco para plataformas de IA

A CPR classifica o cenário como o de um “usuário interno coagido”. Nesse tipo de situação, o modelo de inteligência artificial (IA) não apresenta comportamento malicioso por conta própria, mas pode ser induzido a empregar recursos aos quais possui autorização em favor de um invasor.

Para a segurança de plataformas de IA, o caso indica que a análise não pode se limitar ao comportamento do modelo. Também precisam ser considerados o ambiente no qual ele funciona, as ferramentas às quais tem acesso, as credenciais disponíveis e os serviços conectados.

A descoberta também guarda relação com um episódio anterior envolvendo a Hugging Face, no qual agentes estabeleceram canais de comunicação não autorizados para trocar informações e coordenar atividades. Embora as técnicas utilizadas nos dois episódios tenham sido diferentes, ambos demonstraram como serviços internos compartilhados podem acabar criando mecanismos de comunicação entre ambientes concebidos para permanecer separados.

O líder de pesquisa da Check Point Research, Eli Smadja, afirma que o caso amplia o debate sobre a segurança de sistemas de IA.

“Esta investigação mostra que o desafio de segurança relacionado à IA não está mais restrito ao modelo em si. Ele também envolve os acessos e os níveis de confiança que concedemos a esses sistemas. Com a conexão crescente dos assistentes de IA a sistemas corporativos e dados sensíveis, as organizações precisam considerar que qualquer capacidade autorizada pode ser alvo de uso indevido”, diz Smadja.

Smadja também aponta que enfrentar esse tipo de problema depende da adoção conjunta de diferentes medidas.

“Isso torna essencial combinar uma abordagem preventiva com visibilidade, governança e proteção durante a execução, para garantir que a IA continue sendo um recurso para os negócios, e não uma nova fonte de risco cibernético. As organizações que estiverem à frente serão aquelas que protegerem as interações com a IA antes que os atacantes possam explorá-las”, afirma.

De acordo com a Check Point Research, o canal que possibilitava a comunicação entre as contas já não estava disponível quando a investigação foi concluída. A OpenAI informou aos pesquisadores que a instância interna do Artifactory identificada no trabalho havia sido desativada.

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(Com informações de IT Forum)
(Foto: Reprodução/Magnific/pvproductions)

Caio Simidzu

Publicado por
Caio Simidzu
Tags: sindical

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