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Fraudes digitais contra idosos disparam e desafiam estratégias de TI

Com alta de 240%, golpes digitais direcionados à terceira idade pressionam empresas a criarem soluções de segurança

Fraudes digitais – O aumento expressivo de golpes digitais direcionados à população idosa colocou o assunto no centro das preocupações de profissionais de tecnologia da informação e cibersegurança no Brasil. Em 2024, mais de 72 mil fraudes financeiras contra pessoas acima de 60 anos foram registradas pelo Disque 100, evidenciando a escalada de crimes virtuais que exploram fragilidades digitais desse público.

A quantidade de ocorrências representa mais do que um problema nas estatísticas. Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos apontam que, no mesmo período, mais de 21 mil denúncias de violações patrimoniais contra idosos foram feitas. A maioria dos casos, cerca de 80% deles, chegou às autoridades por meio de terceiros, o que indica que muitas vítimas não percebem o golpe ou evitam denunciá-lo.

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A vulnerabilidade na tecnologia é um dos pontos centrais desse cenário. Informações do Instituto de Longevidade indicam que quase um quarto da população adulta brasileira já sofreu algum tipo de golpe digital. Entre os idosos, a exposição tende a ser maior, devido ao pouco contato com plataformas digitais e pelo avanço de ferramentas tecnológicas constantes.

Dentro das organizações, o impacto também é relevante. Profissionais mais velhos estão entre os alvos de ataques de golpes cibernéticos, e a ausência de soluções adequadas aumenta os riscos à segurança corporativa. O desafio, para departamentos de TI, não é apenas proteger os sistemas, mas envolve também educação digital e prevenção.

Em janeiro de 2025, Santa Catarina aprovou uma política estadual voltada à orientação de idosos sobre fraudes digitais, estabelecendo normas específicas de educação digital para a terceira idade.
Esse movimento acompanha uma mudança no mercado de tecnologia. A expansão dos golpes digitais criou a necessidade de soluções de segurança mais acessíveis, métodos de autenticação adaptados e programas de conscientização contínua. Para líderes de segurança da informação, isso significa adotar mecanismos adicionais de verificação, monitoramento comportamental e sistemas de alerta mais eficientes.

O contexto se torna ainda mais complexo diante da digitalização acelerada de serviços bancários, governamentais e de saúde, intensificada durante a pandemia. Muitos idosos passaram a utilizar plataformas digitais sem o tempo necessário para adaptação, ampliando a exposição a fraudes.

Ao mesmo tempo, o setor aproveita a oportunidade e melhora suas ferramentas. O desenvolvimento de tecnologias voltadas à segurança digital de públicos vulneráveis surge como um nicho em expansão. A inteligência artificial, análise de comportamento e design centrado no usuário idoso, quando combinadas, são promissoras.

Mais do que uma oportunidade comercial, o avanço dos golpes evidencia falhas estruturais na inclusão digital. Isso exige ações coordenadas entre políticas públicas e iniciativas privadas, com foco em acessibilidade e segurança desde a concepção de produtos digitais.

Com o aumento das normas regulatórias, empresas que atuam no setor de tecnologia enfrentam mudanças importantes. Proteger usuários vulneráveis deixou de ser apenas uma questão social e passou a fazer parte das estratégias de empresas tecnológicas. O desafio agora está na velocidade de adaptação das soluções pelas vítimas para garantir segurança em um ambiente digital cada vez mais evoluído.

(Com informações de It Show)
(Foto: Reprodução/Freepik)

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