O Brasil registrou a abertura de 112.334 vagas de emprego formais entre dezembro e janeiro, segundo dados do Caged (Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados pelo governo federal nesta terça-feira (3). Do total de vagas criadas no período, 111.805 foram preenchidas por jovens de até 24 anos.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, o país contabilizava, em janeiro, 48,6 milhões de pessoas empregadas com carteira assinada, número 2,6% superior ao verificado nos últimos 12 meses.
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A indústria foi o setor que mais ampliou contratações no período, com 54.991 novos postos de trabalho, impulsionados principalmente pelas atividades de manutenção, reparo e instalação de equipamentos.
“Quando cresce o emprego na indústria, isso é sempre positivo, porque é resultado das políticas econômicas e também de todo o debate sobre a industrialização liderado pelo vice-presidente, [Geraldo] Alckmin”, afirmou o ministro Luiz Marinho.
Na sequência, a construção civil também registrou saldo positivo de 54.991 vagas formais. Serviços e agropecuária igualmente apresentaram crescimento no número de empregos, considerando a diferença entre admissões e desligamentos de dezembro para janeiro.
O comércio, por outro lado, fechou 56.800 postos no período. Segundo o governo, o resultado é atribuído à sazonalidade típica do início do ano, após as contratações temporárias para as festas de fim de ano. Marinho descartou influência dos juros altos e afirmou que a retração ocorre todos os anos nesse contexto.
Juventude adere à CLT
A expressiva participação dos jovens nas novas vagas contraria a percepção de resistência à formalização, segundo o ministro. “Isso contradiz a máxima de que jovens não estão aceitando CLT”, disse Marinho, frisando que, no ano passado, mais de 80% das vagas formais criadas também foram preenchidas por trabalhadores dessa faixa etária.
Para Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence, o protagonismo dos jovens também aparece nas estatísticas de desligamentos. Segundo levantamento da consultoria, mais de 40% das demissões de trabalhadores de até 24 anos ocorreram por iniciativa própria.
“Proporcionalmente, eles são os que têm as maiores taxas de demissões voluntárias, porque podem pular de uma empresa para outra, enquanto mais velhos buscam por mais estabilidade”, afirma Imaizum. “Mas o que impressiona é o nível desses desligamentos, reflexo de que há outro fator por trás dessa decisão, como mais qualidade de vida, mais autonomia e liberdade.”
Perfil das contratações
A maior parte das novas vagas foi ocupada por homens, que responderam por 94.536 admissões. De acordo com o ministério, o resultado reflete o perfil predominante de contratações nos setores de construção civil e agropecuária.
Na divisão por raça, os trabalhadores pardos lideraram as admissões, com 66.571 vagas, seguidos por brancos (33.567), pretos (13.266) e indígenas (4.163). Estrangeiros somaram 11.634 contratações no período.
O salário médio real de admissão em janeiro foi de R$ 2.389,78, alta de 3,3% em relação a dezembro e de 1,77% na comparação com janeiro de 2025.
Destaque regional
Entre os estados, Santa Catarina apresentou o maior crescimento na geração de empregos formais, com 19 mil novas vagas, principalmente no setor industrial. Mato Grosso ficou em segundo lugar, com 18.731 postos impulsionados pela plantação de soja. O Rio Grande do Sul registrou 18.421 vagas, com destaque para o cultivo de maçã e uva.
Do total de empregos criados em janeiro, 58% são classificados como típicos — seguindo o modelo tradicional da CLT, com jornada completa e vínculo formal. Os demais 42% são considerados atípicos, influenciados sobretudo pela contratação para o cultivo de soja, atividade em que é comum a jornada de até 30 horas semanais.
(Com informações de Folha de São Paulo)
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