Mineração de bitcoin – A mineração de bitcoin em larga escala utilizando energia renovável gerada a partir da cana-de-açúcar deverá entrar em operação já no próximo mês em Mato Grosso do Sul. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (1º) por Mateus Lexugo, representante da Adecoagro, durante o evento “Raízes do Futuro: tecnologia e inovação para construir o amanhã”, realizado pelo governo do Estado em parceria com o Google.
A iniciativa será instalada na unidade da empresa localizada em Ivinhema e integra a estratégia da companhia de ampliar o aproveitamento de sua produção de energia renovável em projetos voltados à inovação tecnológica.
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Segundo Lexugo, a expectativa é de que o data center comece a operar em 1º de julho. Na fase inicial, a estrutura consumirá 10 megawatts (MW) de energia e contará com 1.280 equipamentos dedicados à mineração da criptomoeda. O projeto, entretanto, já foi concebido para futuras expansões, podendo atingir uma demanda de até 40 MW.
“Hoje o projeto do Data Center surge como uma estrutura voltada para a mineração do bitcoin utilizando energia limpa proveniente da cana-de-açúcar. Inicialmente, o projeto vai utilizar 10 megawatts de energia, com 1.280 equipamentos na área de mineração. Esse projeto na unidade de Ivinhema pode ser aumentado até um consumo de 40 megawatts de energia”, afirmou.
Parceria com gigante do setor
O empreendimento nasceu a partir da parceria entre a Adecoagro e a Tether, uma das maiores empresas do segmento de criptomoedas no mundo. Em julho de 2025, as companhias assinaram um memorando de entendimento com o objetivo de desenvolver operações de mineração de bitcoin abastecidas por excedentes de energia renovável produzidos nas usinas da empresa.
Durante sua apresentação, Lexugo ressaltou que o projeto aproveita uma infraestrutura energética já consolidada em Mato Grosso do Sul. Atualmente, a Adecoagro possui capacidade instalada de 230 MW de geração elétrica proveniente de fontes renováveis, sendo que aproximadamente 67% desse volume é destinado ao sistema elétrico.
Além da produção de energia, a companhia mantém uma operação agroindustrial de grande porte no Estado, com mais de 200 mil hectares de cana-de-açúcar cultivados, fabricação diária de cerca de 3 mil toneladas de açúcar e produção de 2.780 metros cúbicos de etanol.
“É justamente associando essa nossa capacidade energética, toda essa estrutura que a gente tem de bioenergia, que buscamos inovações tecnológicas para aplicação dessa energia, buscando desenvolvimento para o Estado e uma diversificação de renda”, explicou.
Foco está na inovação energética
De acordo com o representante da empresa, a motivação principal do projeto não está relacionada à valorização ou comercialização da criptomoeda, mas sim à busca por novas aplicações para a energia renovável produzida pela companhia.
“Um ponto importante é que o interesse da Adecoagro não é pelo criptoativo em si, mas em validar nossa infraestrutura de bioenergia com um processo de inovação tecnológica. Esse é o passo inicial para entrarmos em um desenvolvimento cada vez maior da utilização dessa energia renovável para projetos de evolução tecnológica”, afirmou.
A mineração de bitcoin é o processo responsável por validar e registrar transações realizadas na rede da criptomoeda. A atividade demanda grande capacidade computacional e elevado consumo de energia. Como contrapartida pelo processamento dos cálculos e pela manutenção da segurança da rede, os operadores recebem bitcoins como recompensa.
Na avaliação da empresa, a atividade representa uma alternativa para agregar valor à energia produzida em suas usinas, sobretudo nos períodos em que há excedente de geração.
Mato Grosso do Sul como referência
Lexugo também destacou que a iniciativa posiciona Mato Grosso do Sul entre os estados pioneiros na integração entre agronegócio, energia renovável e tecnologia digital.
“É o primeiro projeto em escala industrial desse tipo em Mato Grosso do Sul e também um dos primeiros no Brasil inteiro. Isso reforça ainda mais a posição do nosso Estado como referência no desenvolvimento tecnológico, principalmente pelo agronegócio”, declarou.
O anúncio amplia informações apresentadas anteriormente pelo governador Eduardo Riedel, que em junho do ano passado revelou a instalação de um data center ligado ao setor de bitcoin no Estado, alimentado por energia limpa produzida localmente. Posteriormente, a parceria entre a Tether e a Adecoagro foi confirmada como a responsável pela execução da iniciativa.
Com o início das operações previsto para julho, o projeto deixa a fase de planejamento e avança para sua implementação prática, inaugurando uma nova forma de aproveitamento da bioenergia produzida em Mato Grosso do Sul.
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(Foto: Reprodução/Magnific)