Mulheres ocupam 43,7% das vagas formais e ganham 28,7% menos que homens no Paraná
Mulheres – O Paraná registrava, em dezembro de 2025, um total de 3.642 estabelecimentos com pelo menos 100 empregados, que juntos concentravam cerca de 1,2 milhão de vínculos formais. Desse total, 528,9 mil eram ocupados por mulheres — sendo 178,7 mil por mulheres negras (33,7%) e 350,2 mil por mulheres não negras (66,2%). Já entre os homens, havia 680,8 mil vínculos, dos quais 244,6 mil eram de trabalhadores negros (35,9%) e 436,1 mil de não negros (64%).
As informações fazem parte do Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgado nesta segunda-feira (27/4) pelos ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres, em conjunto com o 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial.
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O levantamento nacional aponta que o mercado formal brasileiro apresentou avanço relevante em 2025, com aumento da participação feminina — especialmente de mulheres negras — nas grandes empresas. Entre 2023 e 2025, o número de mulheres pretas e pardas empregadas em estabelecimentos com 100 ou mais trabalhadores cresceu 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões, o que representa mais de 1 milhão de novas contratações. No total, o contingente de mulheres ocupadas subiu 11% no período, saindo de 7,2 milhões para 8 milhões — acréscimo de 800 mil trabalhadoras.
Apesar do avanço, o relatório destaca que a ampliação do emprego ocorre paralelamente à persistência de diferenças salariais entre homens e mulheres, evidenciando a necessidade de políticas públicas voltadas à equidade de renda e oportunidades.
No Paraná, em dezembro de 2025, a remuneração média feminina em empresas com 100 ou mais empregados foi de R$ 3.264,81, abaixo dos R$ 4.576,88 recebidos pelos homens. Entre as mulheres negras, o rendimento médio foi de R$ 2.600,02, enquanto mulheres não negras receberam, em média, R$ 3.611,92. Já os homens negros tiveram média salarial de R$ 3.570,08, contra R$ 5.160,13 dos homens não negros.
Em nível nacional, o estudo indica que, em 2025, as mulheres ganharam, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado com empresas de maior porte — índice superior ao registrado em 2023 (20,7%). Na admissão, a diferença também aumentou: os salários femininos ficaram cerca de 14,3% abaixo dos masculinos, frente aos 13,7% observados dois anos antes.
O painel também apresenta dados atualizados para o primeiro semestre de 2026 sobre empresas que adotam medidas de estímulo à contratação de mulheres. No Paraná, 27,3% dos estabelecimentos contam com esse tipo de política. Entre eles, 6,3% incentivam a contratação de mulheres vítimas de violência doméstica; 15,2% incluem mulheres LGBTQIAP+; 17,5% contemplam mulheres com deficiência; e 20,2% possuem ações voltadas à inclusão de mulheres negras.
Os dados reforçam que, embora haja progresso na geração de oportunidades, ainda existem desafios importantes a serem enfrentados. “Quando nós defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Nós estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
“As mulheres ainda se ressentem muito de todos esses processos que as discriminam, que as inferiorizam, que as subalterniza por vários interesses e, principalmente, pela cultura ainda misógina, machista. A gente tem que trabalhar muito mais, tem que dialogar muito mais, tem que se juntar a todas as confederações, as entidades, as instâncias federativas”, prosseguiu a ministra das Mulheres.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reforçou que a busca por igualdade envolve mais do que salários equivalentes. Segundo ele, é essencial ampliar a presença feminina em cargos de maior responsabilidade. “Não é somente a igualdade de salário na mesma função. Nós estamos falando da necessidade da promoção de valorização das mulheres na ascensão nas carreiras. Nós queremos estabelecer passo a passo, degrau por degrau, na construção da igualdade salarial, mas ela é um pedacinho do todo que nós desejamos quando se debate o direito das mulheres”.
O estudo mostra ainda que o número de empresas com 100 ou mais funcionários no Brasil cresceu 5,5% entre 2023 e 2025, passando de 50,7 mil para 53,5 mil. Nesse intervalo, o total de empregos avançou 7%, chegando a 19,3 milhões de vínculos formais. O crescimento foi mais intenso em companhias com mais de dois mil empregados (11,2%) e naquelas com mil a dois mil funcionários (8,2%).
Os dados são baseados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e abrangem cerca de 53,5 mil estabelecimentos. O salário médio registrado foi de R$ 4.594,89, enquanto a mediana salarial contratual ficou em R$ 2.295,36.
A diferença de rendimentos também varia conforme o tamanho das empresas. Em estabelecimentos com até 250 empregados, os salários de admissão das mulheres chegam a cerca de 90% dos valores pagos aos homens. Já em empresas maiores, onde os salários são mais elevados, a disparidade tende a ser mais significativa.
O levantamento também indica avanços na presença feminina em posições de liderança e no fortalecimento de políticas afirmativas. O número de empresas com participação feminina suficiente em cargos de gerência e direção para cálculo de paridade salarial cresceu 12%, alcançando 13,7 mil estabelecimentos.
Além disso, aumentou a quantidade de empresas que afirmam promover mulheres e adotar políticas de parentalidade, o que sugere maior preocupação com a permanência e progressão profissional feminina.
Entre as ações afirmativas, 7% das empresas declararam possuir programas de contratação de mulheres vítimas de violência, com destaque para Minas Gerais e Espírito Santo. As organizações com mais de mil empregados lideram a adoção dessas medidas, evidenciando o papel estratégico do setor produtivo na promoção da inclusão.
(Com informações de Agora Paraná)
(Foto: Reprodução/Freepik)
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