Levantamento analisou o comportamento de jovens no mercado de trabalho e apontou a permanência nas vagas como um dos principais desafios - Foto: Reprodução/Magnific/standret
Emprego – Um em cada quatro trabalhadores de 25 a 29 anos, integrantes do início da geração Z, deixa o emprego antes de completar um ano no Brasil. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o índice chega a 38,2%, enquanto entre adolescentes de 14 a 17 anos mais da metade (52%) não permanece na mesma vaga por 12 meses.
Os dados fazem parte do Diagnóstico da Juventude Brasileira, estudo do Ministério do Trabalho e Emprego elaborado a partir de informações da Pnad Contínua, Rais e eSocial. O levantamento analisou o comportamento dos jovens no mercado de trabalho e apontou a permanência nas vagas como um dos principais desafios atuais.
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Segundo Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do ministério, os motivos para a saída dos empregos variam conforme a idade. Entre adolescentes, é mais comum que o próprio trabalhador deixe a vaga. Já entre jovens de 18 a 24 anos, predominam desligamentos sem justa causa.
Além das mudanças provocadas por desligamentos, a busca por desenvolvimento profissional também aparece como fator importante. De acordo com a subsecretária, muitos jovens procuram novas oportunidades quando percebem que não há espaço para crescimento ou valorização dentro da empresa.
A análise indica que trabalhadores mais novos têm buscado vagas que ofereçam aprendizado, evolução na carreira e melhores condições profissionais. Para Montagner, essa movimentação mostra que os jovens estão mais atentos às possibilidades de desenvolvimento.
O estudo aponta que o Brasil chegou a 13,9 milhões de jovens ocupados no primeiro trimestre de 2026, número superior ao período anterior à pandemia. No mesmo intervalo, a taxa de desemprego entre a população jovem caiu em comparação ao pico registrado em 2021.
A formalização também apresentou avanço: 57,8% dos jovens ocupados estavam em empregos formais no início de 2026, enquanto a informalidade representava 42,2%.
Outro destaque foi o crescimento da participação dos jovens como aprendizes. O país registrava 708 mil trabalhadores nessa modalidade no começo do ano. Apesar do avanço, o levantamento identificou diferenças salariais entre aprendizes: homens brancos recebiam, em média, 8,4% a mais que aprendizes pardos.
Mesmo com a melhora no acesso ao mercado de trabalho, a pesquisa mostra que grande parte dos jovens ainda está concentrada em funções consideradas de entrada. Entre os 13,9 milhões de trabalhadores de 14 a 24 anos, cerca de 11,6 milhões estão em ocupações generalistas, como vendedor, balconista, caixa, recepcionista e auxiliar administrativo.
O diagnóstico também aponta que 7,8 milhões de jovens recebem até 1,5 salário mínimo. A subsecretária destacou preocupação com situações em que estágios podem deixar de cumprir o papel de formação profissional e passar a funcionar apenas como alternativa de mão de obra.
O levantamento registrou ainda 6,2 milhões de jovens que não estudavam nem trabalhavam no primeiro trimestre de 2026. O número cresceu em relação ao fim de 2025, movimento associado pelo ministério a fatores sazonais do início do ano.
Apesar disso, dados da Pnad mostram redução da chamada geração “nem-nem” em 2025. O percentual de jovens de 15 a 29 anos nessa condição caiu em comparação a 2019, passando de 22,4% para 17,5%.
A pesquisa também revelou diferenças entre grupos: mulheres representam a maior parcela entre jovens que não estudam nem trabalham, e a proporção é maior entre jovens pretos e pardos em comparação aos brancos.
O cenário mostra que, embora mais jovens estejam entrando no mercado de trabalho, empresas e trabalhadores ainda enfrentam o desafio de transformar essas oportunidades em trajetórias profissionais mais estáveis e com possibilidade de crescimento.
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(Com informações de Folha de S.Paulo)
(Foto: Reprodução/Magnific/standret)
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