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Aviões – Apesar de custarem centenas de milhões de dólares e representarem o auge da engenharia aeronáutica, muitas aeronaves comerciais ainda dependem de tecnologias consideradas obsoletas fora da aviação. Em modelos icônicos, como o Boeing 747-400, a cena no cockpit pode parecer saída de outra época: em vez de tablets ou atualizações via nuvem, pilotos e técnicos utilizam disquetes de 3,5 polegadas para carregar informações essenciais.
Essa realidade, ainda comum em 2025, contrasta com o ritmo acelerado da tecnologia de consumo. Enquanto smartphones recebem atualizações automáticas durante a noite, os sistemas que comandam grandes aviões permanecem baseados em soluções desenvolvidas há cerca de três décadas.
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O principal motivo para isso está na atualização dos bancos de dados de navegação, que reúnem informações cruciais sobre aeroportos, pistas, frequências de rádio e rotas aéreas. Por normas internacionais, esses dados precisam ser renovados a cada 28 dias.
Em aeronaves mais antigas, como determinadas versões do Boeing 747-400 e do Airbus A320, o procedimento exige a inserção manual de vários disquetes em leitores instalados no painel ou em áreas de manutenção. O processo é demorado e pode levar horas até ser concluído.
A pergunta que surge é inevitável: por que não substituir esse sistema por pendrives, portas USB ou conexões sem fio? A resposta está no rigor da certificação aeronáutica.
Na aviação, qualquer modificação, seja em hardware ou software, precisa passar por testes extensos e extremamente caros para comprovar que não causará falhas ou interferências em sistemas críticos. A simples troca de um leitor de disquetes por outro mais moderno exigiria provas de que não haveria impactos nos comandos de voo ou nas comunicações da aeronave.
Além disso, o custo pesa na decisão das companhias aéreas. Atualizar uma frota inteira pode representar milhões de dólares por avião. Se um sistema antigo continua funcionando de forma segura e confiável, muitas empresas optam por mantê-lo, evitando investimentos considerados desnecessários.
Essa lógica também explica a presença de sistemas operacionais como Windows 95 ou 98 em terminais de manutenção em solo. Esses computadores rodam softwares de diagnóstico desenvolvidos na época em que as aeronaves foram projetadas e permanecem totalmente compatíveis com os sistemas de bordo. Tratam-se de máquinas dedicadas, usadas exclusivamente para manutenção, sem acesso à internet ou a funções modernas.
O que parece atraso tecnológico, na prática, acaba sendo uma vantagem. A ausência de conexão com redes externas transforma esses sistemas em ambientes isolados, o que dificulta ataques cibernéticos. Para alterar dados, é necessário acesso físico à aeronave e ao próprio disquete.
Na aviação, estabilidade e previsibilidade são prioridades. Softwares antigos, amplamente testados ao longo dos anos, oferecem um nível de confiança difícil de alcançar com tecnologias recém-lançadas. Em um setor onde qualquer falha pode ter consequências graves, o conhecido e comprovado continua sendo a escolha mais segura.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik)
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