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Desperdício de água – A combinação entre inteligência artificial, monitoramento por satélite e sistemas automatizados de controle transformou o Rio de Janeiro em um dos principais exemplos internacionais de eficiência hídrica. Durante o Water Loss 2026, maior congresso mundial sobre redução de perdas de água, a Águas do Rio apresentou os resultados de uma operação que já recuperou 301 bilhões de litros de água tratada em pouco mais de quatro anos.
O encontro aconteceu no Centro de Convenções Windsor Barra, na Barra da Tijuca, e reuniu especialistas de diversos países para discutir soluções tecnológicas voltadas à gestão de recursos hídricos. A concessionária, responsável pelo abastecimento em 27 cidades do Estado do Rio de Janeiro e em 124 bairros da capital, levou ao evento experiências ligadas à modernização da rede e ao uso de ferramentas digitais para evitar desperdícios.
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A proposta da companhia durante o congresso foi analisar tecnologias aplicadas em diferentes partes do mundo e identificar quais podem ser adaptadas à realidade fluminense. Em vez de replicar modelos prontos, o objetivo é desenvolver soluções compatíveis com os diferentes padrões urbanos encontrados no estado.
Na última quinta-feira (30), a empresa promoveu um workshop interno para discutir as inovações apresentadas no evento. Segundo Alizi Costa, especialista em Projetos da Águas do Rio, a adaptação tecnológica é um dos pontos centrais da estratégia da companhia.
“Não basta importar soluções; o diferencial está em selecionar tecnologias que respeitem as diferentes formas de urbanização do Rio de Janeiro. Nosso objetivo no Water Loss é encontrar ferramentas que ofereçam segurança operacional e eficiência em cenários diversos”, afirmou.
Satélites identificam vazamentos invisíveis
Entre os recursos tecnológicos já implementados pela concessionária está o monitoramento por satélite, utilizado para localizar vazamentos ocultos sob o asfalto. A tecnologia permite detectar perdas que poderiam permanecer semanas sem identificação em métodos tradicionais.
Somente em 2025, o sistema ajudou a localizar e reparar 1.161 vazamentos escondidos. A medida evitou o desperdício de 21,8 bilhões de litros de água tratada.
A infraestrutura digital da Águas do Rio também inclui uma malha de 17 mil quilômetros de rede equipada com 200 válvulas inteligentes. Os dispositivos ajustam automaticamente a pressão da água, reduzindo riscos de rompimentos e desperdícios. Todo o sistema é monitorado em tempo real pelo Centro de Operações Integradas (COI), que funciona 24 horas por dia.
Inteligência artificial ganha espaço na gestão da água
A inteligência artificial foi um dos principais temas debatidos no Water Loss 2026. Especialistas defenderam o uso da tecnologia para análise de dados, previsões de consumo e criação de modelos preditivos voltados à gestão hídrica.
Um dos casos apresentados no congresso foi desenvolvido por Carlos Cesar Oliveira Araujo Filho, especialista da Águas Guariroba, concessionária do grupo Aegea em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Ele criou um modelo de IA capaz de cruzar dados de temperatura e períodos de seca para prever a demanda de água com até 30 dias de antecedência.
A ferramenta busca evitar produção e consumo desnecessários de água, aumentando a eficiência operacional do sistema. A possibilidade de aplicar o modelo na operação da Águas do Rio ainda está em fase de avaliação.
Operação do Rio vira referência internacional
Os avanços tecnológicos implantados na rede fluminense também passaram a ser analisados por pesquisadores estrangeiros. Durante o congresso, especialistas internacionais utilizaram dados da operação da Águas do Rio para validar estudos sobre inovação e combate a perdas.
O pesquisador holandês Robbert Lodewijks apresentou um trabalho sobre integração de inteligência artificial em estruturas hidráulicas já existentes, utilizando a concessionária carioca como principal estudo de caso.
A participação da companhia no evento contou ainda com cinco especialistas da equipe técnica. Foram discutidos temas ligados à aplicação de IA, monitoramento por satélite, qualidade metrológica de hidrômetros, indicadores integrados e gerenciamento de pressão na Região Metropolitana. Entre os representantes estiveram Henrique Almeida Ferreira, Rodolfo Fuchs dos Santos e Jessica Aline Menezes Lima.
Indicadores mostram avanço na redução do desperdício
De acordo com a concessionária, o volume de água recuperado seria suficiente para abastecer cidades como Campinas, em São Paulo, ou São Luís, no Maranhão. O total também poderia atender individualmente 99,7% dos municípios brasileiros.
Os resultados acompanham os números mais recentes do Instituto Trata Brasil, que apontam queda no índice de perdas da capital fluminense para 38,92%, uma redução superior a 11 pontos percentuais em apenas um ano.
Especialistas defendem que o uso de tecnologias para combater desperdícios melhora o abastecimento sem aumentar a pressão sobre rios e represas. A estratégia também permite ampliar o fornecimento de água para áreas antes desabastecidas sem elevar a retirada de recursos naturais.
Stuart Hamilton, representante do grupo de especialistas da International Water Association (IWA), destacou que a redução de perdas fortalece todo o sistema de abastecimento.
“Em grande parte dos territórios, não precisamos de mais mananciais. Toda água é água boa, a depender de sua finalidade de uso.”
(Com informações de Diário do Rio)
(Foto: Reprodução/Magnific)
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