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Sites falsos usam Desenrola 2.0 como isca para aplicar golpes

Sites falsos usam Desenrola 2.0 como isca para aplicar golpes

Ministério da Fazenda alerta para sites falsos que simulam o programa federal de renegociação de dívidas

Desenrola 2.0 como isca – O Ministério da Fazenda emitiu um alerta sobre golpes virtuais que utilizam o Desenrola 2.0, nova edição do programa federal de renegociação de dívidas, como ferramenta para enganar consumidores. Segundo a pasta, criminosos criaram páginas falsas que simulam canais oficiais do governo para cobrar valores indevidos e capturar dados pessoais de usuários.

Nos sites fraudulentos, os golpistas prometem limpar o nome do consumidor em até cinco dias mediante o pagamento de uma suposta “taxa administrativa”. Para avançar no processo, as vítimas são incentivadas a informar o CPF e responder perguntas sobre dívidas em um chat criado para coletar informações pessoais.

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O Ministério da Fazenda reforçou que “não existe cobrança de taxa para participar do Novo Desenrola Brasil”.

Empresas de cibersegurança identificaram que as páginas falsas reproduzem elementos visuais semelhantes aos utilizados pelo governo federal, incluindo cores, fontes e até comunicados oficiais, em uma tentativa de transmitir credibilidade. Em uma das fraudes analisadas, os criminosos prometiam descontos de até 96% para renegociação das dívidas e solicitavam que o usuário verificasse a elegibilidade inserindo o CPF.

Depois dessa etapa, surgiam cobranças relacionadas a uma suposta “Taxa de Adesão ao Programa” e “Taxa Administrativa e de Processamento Eletrônico”. O valor total chegava a R$ 92,80 e era pago via Pix, por QR Code ou sistema “copia e cola”.

O cenário encontra terreno fértil diante do alto número de brasileiros endividados. Dados do último Mapa da Inadimplência da Serasa mostram que, em março deste ano, 82,2 milhões de pessoas estavam com o nome negativado no país.

Para Paulo Cesar Costa, CEO da PH3A, empresa especializada em soluções tecnológicas e análise de fraude, a combinação entre endividamento elevado e facilidade de acesso às vítimas favorece a ação criminosa.

“O mundo da fraude não está somente no digital. Com o número de inadimplentes no país, para praticar uma fraude, você não precisa ser um hacker. Qualquer pessoa mal-intencionada pode, a cada duas ou três ligações, encontrar um brasileiro negativado”, afirma.

Segundo o executivo, o desespero para regularizar a situação financeira faz com que muitas vítimas entreguem rapidamente dados e dinheiro sem perceber os sinais da fraude. Ele destaca ainda que, diferentemente da primeira edição do Desenrola, o novo programa não funciona como um produto online e exige contato direto com instituições financeiras.

“Se você está com alguma dúvida, procure uma agência bancária. Ela irá te proteger muito mais”, recomenda.

O avanço desse tipo de crime acompanha o crescimento geral das fraudes digitais no país. A Febraban informou que o Brasil registrou quase 12 milhões de tentativas de golpe ao longo de 2025, média de uma ocorrência a cada três segundos. Já pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao Datafolha aponta que golpes financeiros pela internet e celular atingiram cerca de 26,3 milhões de pessoas nos últimos 12 meses.

Professor dos cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Sistemas de Informação do IFSP, Celso Gonzales Saes explica que muitos golpes exploram emoções e urgência para manipular as vítimas. Segundo ele, técnicas de programação neurolinguística ajudam criminosos a provocar reações impulsivas.

“Esse é o aspecto mais perigoso do golpe. O criminoso consegue induzir a pessoa a um estado de envolvimento emocional tão forte que ela deixa de perceber sinais básicos de fraude e passa a agir motivada pela expectativa de resolver um problema urgente”, explica.

Mensagens como “última oportunidade para limpar seu nome” e “regularize agora para evitar bloqueios” costumam ser usadas para pressionar usuários a agir rapidamente. Nesse processo, muitas vítimas deixam de conferir detalhes básicos, como o endereço do site, a autenticidade da instituição e a segurança da página.

Segundo Saes, idosos frequentemente aparecem entre os principais alvos devido à menor familiaridade com ferramentas digitais e à tendência de confiar em comunicações formais. Pessoas com baixa alfabetização digital também são vulneráveis a golpes envolvendo promoções falsas, aplicativos maliciosos, fake news e fraudes com Pix.

Ao mesmo tempo, o professor afirma que usuários mais jovens e ativos online também sofrem ataques por compartilharem grande quantidade de informações pessoais e clicarem rapidamente em links suspeitos.

“Os jovens e usuários muito ativos online, embora tenham maior familiaridade digital, também são bastante atingidos porque compartilham muitas informações pessoais e clicam rapidamente sem verificar. Executivos e gestores sofrem ataques mais sofisticados, chamados de whaling, cujo objetivo é espionagem comercial e sequestro de dados”, afirma.

Especialistas recomendam atenção a sinais como links suspeitos, ausência do cadeado de segurança no navegador, pedidos de informações sensíveis, excesso de pop-ups, erros de português e ofertas consideradas vantajosas demais. Também orientam atenção com mensagens recebidas via WhatsApp e ligações de números desconhecidos.

Caso o usuário perceba que caiu em um golpe, a recomendação é interromper imediatamente o contato com a página ou criminosos, sem baixar arquivos adicionais ou continuar conversas suspeitas.

“Não baixe arquivos adicionais e não continue conversas suspeitas”, orienta Saes.

O professor também recomenda a troca imediata de senhas de e-mail, bancos e redes sociais, além da ativação da autenticação em dois fatores. Para Costa, essa camada extra de proteção funciona como uma barreira importante contra invasões.

“A autenticação em duplo fator é o cinto de segurança do mundo digital, porque garante que, se alguém estiver usando o seu dado, alguma notificação chegará no seu telefone ou e-mail”, explica.

Especialistas ainda orientam que vítimas monitorem movimentações bancárias, bloqueiem cartões, contestem transações suspeitas e reúnam provas, como capturas da página falsa, conversas e comprovantes de pagamento. Com essas informações, é possível registrar boletim de ocorrência em delegacias especializadas e denunciar os sites fraudulentos em plataformas como CERT.br e SaferNet Brasil.

(Com informações de CNN)
(Foto: Dilvulgação/Govbr)

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