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“Odeio trabalhar cinco dias”: CEO do Zoom aposta em jornadas mais curtas

Para Eric Yuan, automação deve reconfigurar produtividade e acelerar mudanças no mercado

Jornadas mais curtas – O avanço da inteligência artificial está abrindo caminho para uma transformação profunda na forma como as pessoas trabalham. Para Eric Yuan, CEO do Zoom, essa mudança pode resultar em uma redução significativa da jornada semanal, chegando a apenas três dias nos próximos anos.

Responsável por impulsionar o trabalho remoto em escala global, o Zoom ajudou a reduzir deslocamentos, alterar a dinâmica dos escritórios e oferecer mais flexibilidade aos profissionais. Agora, com a evolução das tecnologias de IA, Yuan acredita que uma nova revolução está em curso.

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“Eu odeio trabalhar cinco dias”, disse Yuan ao Wall Street Journal. “Tenho muito certeza de que realmente não precisamos trabalhar cinco dias”, afirmou, acrescentando que, nos próximos cinco anos, a semana de trabalho será reduzida para três dias.

Embora a ideia de jornadas mais curtas não seja inédita, Yuan destaca que o impacto da inteligência artificial pode acelerar esse processo de forma inédita. Ele relembra avanços históricos de produtividade, como a linha de montagem de Henry Ford, que contribuiu para a transição de seis para cinco dias de trabalho semanais.

Segundo o executivo, a diferença agora está na capacidade da IA de assumir tarefas rotineiras. “Não acho que precisamos trabalhar cinco dias porque, literalmente, todos nós vamos empregar muitos agentes digitais”, disse. Ele projeta um cenário em que cada pessoa poderá contar com milhares de agentes de IA para atividades como responder e-mails ou participar de reuniões.

O próprio Yuan já testou essa possibilidade ao utilizar uma versão em IA de si mesmo para participar de uma teleconferência de resultados no ano passado.

Apesar das perspectivas de maior tempo livre, o CEO ressalta que o trabalho não desaparecerá. “Podemos aproveitar o tempo na praia, mas queremos que as crianças ainda encontrem algo novo e empolgante em que trabalhar.”

Nem tudo facilita o equilíbrio entre vida pessoal e profissional

O debate sobre a redução da jornada tem ganhado força nos últimos anos. Uma pesquisa de 2024 da American Psychological Association (APA) mostrou que 80% dos trabalhadores acreditam que seriam mais felizes, e igualmente produtivos, trabalhando quatro dias por semana.

Um dos modelos mais discutidos é o “100-80-100”, no qual funcionários recebem 100% do salário trabalhando 80% do tempo, mantendo 100% da produtividade. A proposta, apoiada pelo senador Bernie Sanders, tem sido testada em programas-piloto conduzidos pela organização 4 Day Week Global.

Relatos de participantes indicam melhorias na saúde mental e física, além de redução de estresse, fadiga e conflitos entre trabalho e vida pessoal.

Por outro lado, algumas empresas optaram por concentrar a carga semanal em quatro dias de 10 horas. Nesse formato, estudos apontam desafios: jornadas mais longas podem impactar negativamente a saúde dos trabalhadores e dificultar a conciliação com responsabilidades familiares.

De acordo com análise da APA, embora a satisfação no trabalho possa aumentar nesse modelo, indicadores como absenteísmo e produtividade tendem a permanecer estáveis.

Lideranças reforçam tendência de mudança

A visão de Yuan não é isolada. Outros líderes empresariais também projetam um futuro com jornadas mais curtas, impulsionado pela tecnologia.

O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, afirmou recentemente que a semana de trabalho pode encolher para três dias e meio nas próximas décadas. “Acredito que, daqui a 30 anos, seus filhos provavelmente trabalharão três dias e meio por semana”, disse em entrevista à CBS News exibida no início deste mês.

Em sua carta mais recente aos acionistas, Dimon acrescentou que os avanços em inteligência artificial têm potencial não apenas para transformar setores econômicos, mas também para ajudar as pessoas a viver vidas “mais longas e seguras”, em parte ao reduzir o tempo dedicado ao trabalho.

A OpenAI, por sua vez, também tem incentivado a adoção gradual de jornadas reduzidas. Em documento recente, intitulado “Industrial Policy for the Intelligence Age: Ideas to Keep People First”, a organização recomenda que empresas e sindicatos realizem projetos-piloto com semanas de 32 horas ou quatro dias, sem redução salarial e mantendo os níveis de produção.

“Incentivem empregadores e sindicatos a conduzir projetos-piloto com duração definida de semanas de trabalho de 32 horas/quatro dias, sem redução de salário e mantendo constantes os níveis de produção e serviço”, diz o documento. “Depois, convertam as horas recuperadas em uma semana permanentemente mais curta, folga remunerada acumulável ou ambos.”

Embora a transição para jornadas reduzidas ainda enfrente desafios, o avanço da inteligência artificial e o apoio crescente de lideranças indicam que mudanças estruturais no mundo do trabalho podem estar cada vez mais próximas.

(Com informações de InfoMoney)
(Foto: Reprodução/Freepik/rawpixel.com)

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