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Cuiabá realiza primeiro procedimento em MT com tecnologia que amplia precisão no tratamento cardíaco

Exame pioneiro amplia precisão no diagnóstico e tratamento das artérias do coração. (Foto: Reprodução/Magnific/choudhary88991/Imagem gerada por IA)
Sistema Makoto reúne ultrassom intracoronário e espectroscopia por infravermelho em um único exame, permitindo uma avaliação mais detalhada das artérias coronárias e auxiliando na definição de tratamentos personalizados.

Tratamento cardíaco – A cardiologia de Mato Grosso deu um passo importante rumo à medicina de alta precisão nesta quarta-feira (15), com a realização de um procedimento inédito no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá. Pela primeira vez no estado, foi utilizado o Sistema Makoto, tecnologia que combina ultrassom intracoronário (IVUS) e espectroscopia por infravermelho (NIRS) em um único exame para oferecer uma avaliação mais detalhada das artérias coronárias, tornando o diagnóstico e o planejamento do tratamento mais precisos.

A incorporação da tecnologia ocorre em um cenário de grande impacto das doenças cardiovasculares. Em Mato Grosso, essas enfermidades são a principal causa de mortes e respondem por cerca de 6 mil óbitos por ano, conforme dados do Ministério da Saúde (DataSUS).

Os números acompanham uma realidade mais ampla. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), aproximadamente 400 mil pessoas morrem anualmente no Brasil em decorrência de doenças cardiovasculares. No mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima cerca de 17,9 milhões de mortes por ano relacionadas a essas condições.

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O procedimento inaugural foi realizado pelos cardiologistas intervencionistas Dr. Leandro C. Mandaloufas e Dr. Nelson Artur dos Reis, integrantes do corpo clínico do Hospital Santa Rosa.

Dr. Leandro C. Mandaloufas coordena a Linha Cardiológica e a Residência em Cardiologia do Hospital Santa Rosa, além de integrar a diretoria da Sociedade Brasileira de Cardiologia de Mato Grosso (SBC/MT) para a gestão 2026-2027. O especialista é formado pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo e pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.

Já o Dr. Nelson Artur dos Reis possui residência em clínica médica e cardiologia pelo Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro, além de residência em hemodinâmica pela Beneficência Portuguesa de São Paulo. Depois de atuar por vários anos em importantes hospitais do Rio de Janeiro, passou a integrar a equipe do Hospital Santa Rosa na cardiologia clínica em 2017 e, posteriormente, na cardiologia intervencionista, em 2022.

Para os especialistas, a chegada do Sistema Makoto representa um avanço significativo para os pacientes atendidos na região.

“O infarto continua sendo uma das principais causas de morte no mundo. Com essa tecnologia conseguimos conhecer melhor a doença de cada paciente e tomar decisões mais precisas e individualizadas durante o tratamento, oferecendo mais segurança e qualidade na assistência”, afirma o Dr. Leandro.

“Ao longo de décadas acompanhando os avanços da hemodinâmica, fica claro que a precisão visual é o nosso maior aliado. Esse novo sistema nos entrega dados extremamente detalhados em tempo real, o que otimiza o planejamento da intervenção e se traduz diretamente em mais segurança para o paciente em sala de cirurgia”, acrescenta o Dr. Nelson.

Como funciona a tecnologia

O Sistema Makoto atua como um scanner de alta precisão das artérias coronárias. O equipamento é introduzido de forma minimamente invasiva durante o cateterismo e reúne duas tecnologias em um único procedimento: o ultrassom intracoronário (IVUS) e a espectroscopia por infravermelho (NIRS).

Enquanto a angiografia convencional mostra principalmente o fluxo sanguíneo por meio de contraste e raio X, o novo sistema permite visualizar detalhes da parede das artérias que normalmente não aparecem no exame tradicional.

“Enquanto o ultrassom nos mostra a anatomia da artéria, seu tamanho real, o grau de calcificação e a qualidade da expansão do stent, o NIRS identifica placas ricas em gordura, que estudos científicos associam a um maior risco de eventos cardiovasculares futuros. Essa combinação representa um avanço importante na cardiologia intervencionista”, explica o cardiologista.

A combinação das duas tecnologias possibilita identificar as chamadas placas vulneráveis, caracterizadas pelo alto teor de gordura e maior instabilidade. Pesquisas internacionais indicam que essas placas estão relacionadas a um risco elevado de novos eventos cardiovasculares, permitindo que o tratamento e o acompanhamento sejam definidos de forma mais individualizada.

“Quanto melhor entendemos a composição da placa e a anatomia da artéria, maior é nossa capacidade de indicar o tratamento mais adequado para cada pessoa. Nosso objetivo é oferecer uma medicina cada vez mais personalizada e baseada em evidências científicas”, acrescenta o Dr. Nelson.

Na prática, o detalhamento fornecido pelo equipamento auxilia a equipe médica na definição do diâmetro, do comprimento e do posicionamento do stent, além de confirmar se o dispositivo foi implantado corretamente, aumentando a precisão da angioplastia.

Estudos científicos também apontam que o uso do ultrassom intracoronário melhora os resultados da angioplastia em comparação com a angiografia isolada. Já a associação do IVUS com a espectroscopia por infravermelho amplia a capacidade de identificar placas ricas em gordura associadas a maior risco cardiovascular.

Com a chegada do Sistema Makoto, Mato Grosso passa a contar com uma tecnologia já empregada em importantes centros de cardiologia no mundo, ampliando os recursos disponíveis para o diagnóstico e auxiliando na definição da estratégia terapêutica mais adequada para cada paciente.

“Essa tecnologia representa mais uma ferramenta para que possamos compreender melhor a doença coronária e tomar decisões cada vez mais fundamentadas durante o tratamento. Quem mais ganha com esse avanço é o paciente”, conclui o Dr. Leandro Mandaloufas.

(Com informações de Notícia Max)

(Foto: Reprodução/Magnific/choudhary88991/Imagem gerada por IA)