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Em entrevista ao UOL, presidente do Sindpd-SP defende redução de jornada e fim da escala 6×1

Redução de jornada – Na manhã desta quarta-feira (15), o presidente do Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores de Tecnologia da Informação de São Paulo) da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), Antonio Neto, defendeu em entrevista ao UOL a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, propostas em discussão na Câmara dos Deputados por meio da PEC 8/2025, enviada pelo governo federal nesta terça (14). O dirigente criticou a resistência do empresariado e afirmou que argumentos contrários à medida se repetem historicamente.

Segundo Neto, previsões negativas acompanham avanços trabalhistas e sociais desde o período posterior à abolição da escravatura. Citando exemplos como a criação do décimo terceiro salário e das férias, que também enfrentaram oposição semelhante pelo patronado, a atual discussão segue o mesmo padrão, com alertas considerados “exagerados”.

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O tema mobiliza entidades sindicais nesta semana. A Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) será realizada hoje em Brasília, com a definição de pautas que serão entregues para as lideranças do Congresso Nacional, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, e ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin.

“Estamos iniciando a Conclat hoje e vamos entregar aquilo que interessa aos trabalhadores dentro do Congresso. Entregaremos de pauta jurídica o que achamos importante para este ano, como a questão da pejotização e da redução da jornada”, declarou Neto.

Com o argumento de que o Brasil não promove mudanças significativas na jornada de trabalho há 38 anos, Neto relembra que a jornada semanal foi fixada em 48 horas em 1943 e reduzida para 44 horas apenas em 1988. Agora, quase quatro décadas depois, a proposta em discussão prevê a redução para 40 horas semanais.

Hora de compartilhar ganhos com trabalhadores

Para o sindicalista, os ganhos de produtividade obtidos ao longo desse período e impulsionados por avanços tecnológicos, como automação e inteligência artificial, não foram compartilhados com os trabalhadores. “Essa é a hora de compartilhar”, afirmou, ao destacar que o modelo atual tem gerado falta de tempo para atividades pessoais, familiares, de lazer e saúde.

O dirigente também relaciona a jornada extensa ao aumento de problemas de saúde mental e doenças psicossomáticas. Neto defende a adoção de dois dias de descanso semanal como forma de melhorar a qualidade de vida e o desempenho dos trabalhadores.

Citando o setor de tecnologia como exemplo de que a redução da jornada pode trazer resultados positivos, o líder sindical afirmou que empresas da área adotaram jornadas de 40 horas semanais sem impactos negativos, registrando aumento nas contratações e nos salários, além da redução de questões relacionadas a saúde.

Em movimentação semelhante, aponta que setores como construção civil e comércio ainda enfrentam altos índices de acidentes relacionados à exaustão. Além disso, destacou que a jornada de trabalho vai além do tempo dentro da empresa, incluindo longos deslocamentos diários, que podem chegar a várias horas de trajeto, suscetível a intempéries, como acidentes e trânsito, que muitas vezes aumentam ainda mais o tempo de deslocamento:

“O trabalhador já tem uma jornada extensa, porque não é só a jornada na empresa, mas também a jornada que começa dentro de casa, com duas ou três horas de condução para ir e mais duas ou três horas de condução para voltar, com todos os problemas de percurso que a mídia mostra todos os dias. A redução da jornada é sobre ter tempo pra você”, acrescenta.

Além da Conclat, está prevista para esta quarta a Marcha da Classe Trabalhadora pela manhã e uma reunião com o presidente da República no período da tarde. Para Neto, a intenção é construir um entendimento entre trabalhadores e empregadores, evitando um cenário de confronto, prestigiando até mesmo o mercado consumidor.

“Isso não é um cabo de guerra. Precisamos mostrar para o patronato que é importante também para eles, para que possam ter trabalhadores com condições mentais e de saúde para melhorar o desempenho. Dois dias de descanso significa mais gente podendo, além de tudo, ter tempo livre para ir ao shopping, para consumir. O empresariado não está se atentando para esse tipo de coisa”, afirmou Neto.

Para o sindicalista, a redução da jornada e o fim da escala 6×1 podem gerar impactos econômicos positivos, ampliar o tempo livre, melhorar a qualidade de vida de trabalhadores e promover bem-estar e saúde para toda a população.

Assista a entrevista de Antonio Neto ao UOL na íntegra abaixo:

Julia Stoever

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