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Funcionários da Samsung exigem participação dos lucros e ameaçam greve

Greve – Milhares de funcionários da Samsung se reuniram na Coreia do Sul e apresentaram um ultimato à fabricante dos celulares Galaxy. O sindicato da categoria exige que 15% dos lucros da companhia, impulsionados pela crescente demanda por chips de memória utilizados em data centers de inteligência artificial, sejam distribuídos entre os trabalhadores, em um momento em que a empresa lidera esse segmento no mercado global.

A posição de destaque tem refletido diretamente nos resultados financeiros. Dados compilados por veículos como a PCMag indicam que a Samsung registrou lucro operacional de US$ 38 bilhões (cerca de R$ 189,6 bilhões) apenas no primeiro trimestre de 2026.

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Caso aceite a proposta sindical, a empresa teria de desembolsar entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões por ano em bônus. Até agora, a diretoria rejeita a reivindicação, mantendo o impasse com os funcionários. Segundo os trabalhadores, se não houver avanço nas negociações, uma greve de 18 dias começará em 21 de maio.

Paralisação pode pressionar ainda mais os preços de chips

A insatisfação interna ganhou força diante da concorrência. De acordo com o TechCrunch, a rival SK Hynix deve pagar bônus médios de cerca de US$ 400 mil para cada um de seus 35 mil funcionários (aproximadamente R$ 2 milhões). O protesto contra a Samsung reuniu entre 30 mil e 39 mil pessoas, conforme estimativas.

Uma eventual paralisação nas linhas de produção da companhia pode desencadear efeitos globais. O mercado de chips já opera próximo do limite, e a expectativa é que data centers voltados à inteligência artificial consumam cerca de 70% de toda a memória produzida em 2026, reduzindo a oferta para outros setores.

Os preços da memória RAM já vêm registrando altas constantes. Caso a greve se concretize, a escassez de componentes pode se intensificar, afetando a fabricação de produtos como computadores, notebooks e smartphones. A própria divisão de celulares da Samsung pode sofrer impacto, com risco de registrar prejuízo pela elevação dos custos de memória.

Empresa recorre à Justiça para conter mobilização

Segundo a agência Reuters, a Samsung acionou a Justiça para tentar impedir o que classifica como “ações ilegais” durante a possível greve. A estratégia busca evitar bloqueios às fábricas e interrupções nas linhas de produção.

A companhia também conta com apoio de parte dos investidores. Durante os protestos dos trabalhadores, acionistas organizaram manifestações contrárias ao movimento sindical. Eles argumentam que a paralisação ocorre em um momento estratégico e competitivo, e que as demandas financeiras podem comprometer investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

O cenário não é inédito para a empresa. Em 2024, a Samsung enfrentou a primeira greve de sua história em mais de 50 anos, com duração de 25 dias.

Em 2026, porém, o contexto é mais sensível. A cadeia global de inteligência artificial depende diretamente do fornecimento de chips de memória, o que amplia o poder de barganha dos trabalhadores diante de uma indústria sob forte pressão por demanda.

 

(Com informações de Tecnoblog)

(Foto: Reprodução/Agência Brasil)

Pedro Carneiro

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Pedro Carneiro
Tags: sindical

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