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Guerra dos chips: tensão entre China e Holanda ameaça montadoras brasileiras

Guerra dos chips – A disputa diplomática entre Holanda e China por causa da fabricante de semicondutores Nexperia acendeu um novo alerta na indústria automotiva brasileira. O setor teme que o conflito resulte em outra crise de fornecimento global de chips, cenário que paralisou fábricas durante a pandemia de Covid-19.

O governo holandês decidiu intervir na Nexperia – de capital chinês – alegando necessidade de proteger a propriedade intelectual do país. Como resposta, Pequim impôs restrições à exportação de componentes eletrônicos estratégicos, com reflexos diretos sobre a cadeia de produção mundial.

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Na terça-feira (21), o ministro neerlandês de Assuntos Econômicos, Vincent Karremans, manteve contato telefônico com o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, em busca de uma solução diplomática. A iniciativa partiu da Holanda, após a retaliação chinesa. Em contrapartida, Pequim proibiu o envio de chips para a Nexperia – subsidiária da Wingtech Technology –, o que gerou apreensão entre montadoras europeias, especialmente na Alemanha. Embora simples, os semicondutores fabricados pela empresa são indispensáveis para o funcionamento de veículos e aparelhos eletrônicos.

Durante a conversa, Wang pediu que os Países Baixos “resolvam adequadamente” as questões relacionadas à Nexperia, garantam os direitos de investidores chineses e “promovam um ambiente de negócios justo, transparente e previsível”, segundo relatou a emissora estatal chinesa CCTV.

Alerta no Brasil

No Brasil, montadoras e a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) já manifestam preocupação com possíveis paradas nas linhas de montagem nas próximas semanas. “Um veículo moderno usa de mil a três mil chips. Sem esses componentes, não há como manter a produção”, afirmou a entidade, que também solicitou apoio do governo federal para reduzir os impactos da crise.

A Volkswagen admitiu a chance de suspender atividades em fábricas da Alemanha, enquanto, no Brasil, companhias como Hyundai, Renault e Volvo informaram estar acompanhando de perto o desenrolar da situação e ajustando seus estoques. Já a BYD destacou que a verticalização de sua cadeia produtiva oferece maior proteção contra eventuais rupturas no fornecimento de semicondutores.

O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) informou que monitora os desdobramentos da crise no fornecimento global e mantém diálogo com empresas do setor para evitar impactos sobre empregos e produtividade.

Analistas afirmam que a nova tensão em torno dos chips expõe novamente a vulnerabilidade do Brasil diante da dependência quase total de semicondutores importados. Para eles, a retomada da produção nacional é um passo estratégico para reduzir riscos futuros.

Com cerca de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos, o setor automotivo segue como um dos pilares da economia brasileira. Uma nova crise de abastecimento de chips pode não apenas interromper a produção de veículos, mas também atingir fornecedores, prestadores de serviço e toda a cadeia de valor — ampliando os efeitos negativos sobre o PIB e o nível de emprego.

(Com informações de ICL)
(Foto: Reprodução/Freepik/user11472009)

Caio Simidzu

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Caio Simidzu
Tags: sindical

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