ChatGPT sugere que homem ‘confie em Deus’ em emergência médica e vira alvo de processo. (Foto: Reprodução)
ChatGPT – Um pastor da Flórida, nos Estados Unidos, acionou a Justiça contra a OpenAI após alegar que recebeu orientações médicas perigosas do ChatGPT Health ao relatar sintomas relacionados à embolia pulmonar. O processo acusa a empresa e seu CEO, Sam Altman, de negligência e exercício irregular de medicina, enquanto a OpenAI sustenta que o chatbot não deve ser utilizado para diagnóstico ou tratamento médico.
O requerente Scott Winters afirma que o ChatGPT Health descartou riscos quando ele descreveu seus primeiros sintomas e o desencorajou a procurar um profissional humano. Segundo o pastor, o chatbot recomendou que ele confiasse que “Deus não projetou seu corpo para falhar indefinidamente”.
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Diante do episódio, Winters ingressou com uma ação na Suprema Corte da Califórnia, em São Francisco. Além de uma compensação financeira, o pastor e a organização sem fins lucrativos Tech Justice Law, que acompanha o caso, pedem a suspensão do ChatGPT Health até que a confiabilidade da ferramenta seja avaliada de forma independente.
Lançado em janeiro deste ano, o ChatGPT Health foi desenvolvido como um ambiente otimizado para conversas relacionadas à saúde e ao bem-estar. A ferramenta foi disponibilizada inicialmente para um número reduzido de usuários e continua aceitando inscrições para a lista de espera.
Segundo a OpenAI, o ChatGPT Health tem como objetivo ajudar usuários a se prepararem para consultas médicas, interpretar resultados de exames antes de um atendimento profissional, apoiar o gerenciamento de condições por meio de recomendações de bem-estar e oferecer dicas para aliviar sintomas sem a necessidade inicial de medicamentos. A empresa afirma que o projeto foi desenvolvido com a colaboração de médicos.
De acordo com o The New York Times, esta parece ser a primeira ação judicial que acusa o ChatGPT de causar prejuízos a usuários que buscavam orientação médica. No entanto, não é o primeiro processo enfrentado pela OpenAI. A empresa já foi alvo de ações por suposta violação de direitos autorais, por possivelmente falhar em detectar sinais de sofrimento psicológico e ideias suicidas e, mais recentemente, por supostamente roubar segredos comerciais da Apple.
OpenAI reforça que chatbot não substitui atendimento médico
Em resposta ao caso, o porta-voz da OpenAI, Drew Pusateri, afirmou que responsabilizar os chatbots como único fator pelas decisões ou pelos desfechos médicos dos usuários simplifica um problema mais amplo.
“Tratar os chatbots como o único fator por trás das decisões ou dos desfechos médicos das pessoas simplifica excessivamente um desafio muito maior e corre o risco de impedir o acesso a novas ferramentas poderosas, capazes de auxiliá-las em sua jornada de saúde”, afirmou.
Pusateri também destacou que os termos de serviço do ChatGPT deixam claro que a ferramenta não deve ser utilizada para diagnóstico ou tratamento médico. Segundo ele, a versão mais recente do chatbot é superior à utilizada por Winters no momento da conversa, sendo mais capaz de demonstrar incerteza e reconhecer quando é necessário procurar um médico.
Em publicação feita em 18 de junho deste ano, a OpenAI informou que mais de 230 milhões de pessoas utilizam o ChatGPT para esclarecer dúvidas relacionadas à saúde e ao bem-estar.
Pesquisador aponta fatores que tornam o caso incomum
Ao The New York Times, o pesquisador de IA médica Dr. Adam Rodman afirmou que diversos aspectos do relato de Winters fazem do episódio um verdadeiro “cenário de pesadelo” para especialistas em segurança de inteligência artificial.
Segundo o pesquisador, um dos fatores é que a conversa foi processada pelo GPT-4o, um modelo mais antigo do ChatGPT e reconhecido publicamente por apresentar um comportamento excessivamente elogioso e bajulador.
Rodman também observou que o fato de Winters ter mantido uma longa conversa com o chatbot pode ter dificultado a identificação de um problema de saúde mais grave.
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(Com informações de Tecmundo)
(Foto: Reprodução/Magnific/DC Studio)
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