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Falsa verificação contra robôs abre caminho para ataque a redes corporativas

Técnica simula verificações da Cloudflare para induzir funcionários a executar comandos que permitem acesso persistente às redes corporativas
Falsa verificação contra robôs abre caminho para ataque a redes corporativas
Depois que o botão é pressionado, o site simula a realização da verificação, mas, de forma escondida, copia um comando malicioso (Foto: Reprodução/Magnific/gajus)

Falsa verificação – A Microsoft divulgou, em 28 de agosto, um alerta global sobre uma campanha de ataques cibernéticos que recorre a falsos testes de verificação humana para comprometer computadores de empresas. A estratégia utiliza páginas fraudulentas que reproduzem o teste da Cloudflare e possibilita a criação de um canal oculto de comunicação com as redes internas das organizações.

De acordo com os pesquisadores da companhia, o objetivo dos criminosos é criar uma espécie de acesso remoto permanente aos equipamentos comprometidos. A partir desse ponto, os invasores podem circular discretamente pela infraestrutura corporativa, obter credenciais com privilégios administrativos e avançar na preparação de ataques de ransomware.

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Golpe depende da ação da vítima

A técnica representa uma evolução do método de engenharia social conhecido no setor de segurança como “ClickFix”. Em vez de depender exclusivamente da exploração automatizada de vulnerabilidades, a estratégia convence o próprio usuário a executar uma ação. Ao visitar uma página comprometida, a vítima encontra uma tela solicitando a confirmação de que não é um robô.

Depois que o botão é pressionado, o site simula a realização da verificação, mas, de forma escondida, copia um comando malicioso para a área de transferência do computador. Na sequência, a página orienta o funcionário a abrir o terminal de comandos do Windows e colar o conteúdo para supostamente finalizar a validação.

Segundo o relatório elaborado pelos pesquisadores Sagar Patil, Suriyaraj Natarajan e Parasharan Raghavan, a técnica foi estruturada para superar mecanismos convencionais de proteção:

“Diferentemente de variantes anteriores do ClickFix, que normalmente entregavam um único ladrão de senhas, esta campanha do TerminalFix implanta uma cadeia de ataque sofisticada de múltiplos estágios que combina o carregamento lateral de arquivos, extração de código escondido em imagens, reconhecimento detalhado de diretórios internos e um implante customizado de túnel reverso, o que garante ao invasor um acesso persistente em nível de rede pelo computador invadido”, escreveram.

Para evitar que a atividade desperte desconfiança, o comando executado pelo usuário apaga o conteúdo da janela do terminal e apresenta uma falsa tela de validação, com caracteres verdes e azuis e a mensagem “Eu não sou um robô”. Enquanto a interface tenta transmitir a aparência de um procedimento legítimo, o computador começa, silenciosamente, a baixar arquivos compactados.

Entre os arquivos transferidos há um programa legítimo e assinado pelo Windows, utilizado pelos criminosos em conjunto com um arquivo adulterado. Como o sistema dá preferência à execução de arquivos localizados naquela pasta, o código malicioso consegue ser executado sem os alertas de segurança normalmente associados a programas perigosos.

Código escondido em imagens

Outro elemento da campanha é o emprego de esteganografia, método usado para ocultar códigos e comandos dentro de arquivos aparentemente inofensivos, segundo os pesquisadores. O malware obtém três imagens PNG hospedadas em servidores externos. Apesar de visualmente comuns, os arquivos carregam informações escondidas nos pixels, que são interpretadas pelo programa para reconstruir componentes de espionagem no armazenamento do computador.

Depois de obter acesso ao equipamento, o malware também cria mecanismos para permanecer ativo mesmo quando a máquina é reiniciada. Para isso, são configuradas tarefas agendadas que executam o código a cada 60 minutos. Com a persistência estabelecida, o invasor passa a procurar bancos de dados, servidores de backup, credenciais corporativas e máquinas consideradas prioritárias dentro da rede.

Na etapa seguinte, o ataque implementa um túnel reverso responsável por manter uma comunicação constante entre o computador comprometido e a infraestrutura controlada pelos criminosos. O tráfego é disfarçado como uma conexão convencional de internet e utiliza criptografia, dificultando sua identificação por firewalls corporativos. Dessa maneira, o invasor passa a ter condições de acessar outros servidores que estejam disponíveis a partir da máquina comprometida.

Risco de ransomware

A Microsoft afirmou não ter identificado atuação direta de operadores humanos durante a etapa de coleta dos dados técnicos, mas alertou para os riscos que podem surgir depois que o acesso é estabelecido:

“Organizações devem tratar os dispositivos afetados como potenciais pontos de apoio na rede e investigar a ocorrência de movimentação lateral e exposição de credenciais. Na fase de operação manual que tipicamente se segue, atacantes usam esse acesso para elevar privilégios, desativar controles de segurança, extrair dados confidenciais e implantar ransomware em toda a empresa”, ressaltou a companhia.

Como medida de prevenção, a empresa recomenda que os setores responsáveis por suporte e segurança limitem a capacidade de usuários comuns de executar comandos no Windows. Os pesquisadores também defendem a capacitação dos funcionários para reconhecer páginas que solicitem combinações de teclas ou instruções incomuns.

Caso algum equipamento da rede apresente indícios de comprometimento, a orientação é redefinir imediatamente as senhas de contas administrativas e investigar possíveis sinais de movimentação do invasor dentro da infraestrutura corporativa.

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(Com informações de TecMundo)
(Foto: Reprodução/Magnific/gajus)