Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação

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Território de captação de energia eólica offshore - Foto: Reprodução/Magnific/os88k

Potencial eólico no mar pode impulsionar indústria e inovação no Maranhão

Com extensa faixa litorânea e condições favoráveis de vento, estado atrai atenção de pesquisadores e investidores, mas consolidação do setor depende de regras claras, estudos técnicos e qualificação profissional

Potencial eólico – O Maranhão reúne características que o colocam entre os territórios mais promissores do país para a geração de energia eólica offshore. Com 640 quilômetros de litoral, o estado combina ventos favoráveis e infraestrutura portuária capaz de contribuir para a redução de custos logísticos na implantação de parques eólicos em alto-mar, cenário que desperta o interesse de especialistas, pesquisadores e empresas do setor.

Estudos apontam que a região possui capacidade para produzir energia em escala suficiente para suprir múltiplas vezes a demanda doméstica brasileira. Entretanto, para que esse potencial se transforme em investimentos concretos, o mercado considera indispensável a realização de medições locais contínuas e a ampliação da oferta de dados técnicos confiáveis, capazes de reduzir incertezas e dar segurança aos empreendedores.

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O potencial brasileiro para a geração eólica offshore foi mapeado pelo Roadmap Eólica Offshore Brasil, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 2020. O levantamento identificou cerca de 700 GW de potencial técnico em áreas marítimas com profundidade de até 50 metros. Apesar dos números expressivos, o estudo ressalta que a estimativa é apenas indicativa, uma vez que ainda depende de avaliações mais detalhadas relacionadas a restrições ambientais, navegação, ocupação do espaço marítimo e possíveis conflitos com outras atividades econômicas ligadas ao mar.

No campo regulatório, a Lei 15.097/2025 estabeleceu bases para o uso energético das áreas marítimas brasileiras. Ainda assim, especialistas avaliam que a regulamentação infralegal precisa avançar para definir critérios de outorga, licenciamento e compatibilização entre diferentes usos do mar. A ausência dessas normas e a participação de diversos órgãos no processo são apontadas como fatores que retardam leilões de áreas e estudos exploratórios.

A necessidade de conciliar interesses de setores como pesca, turismo, navegação e atividade portuária reforça a importância de um planejamento espacial marinho estruturado. Sem essa coordenação, o aproveitamento eficiente das áreas oceânicas pode enfrentar limitações.

Segundo Flávio Rosa, diretor da Barlovento Applus no Brasil, a complexidade regulatória decorre justamente da natureza pública e multifuncional do ambiente marítimo. “O anseio do setor, representado pelo Grupo de Trabalho de Energia Eólica (GT-EO) do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e integrado por mais de 20 instituições, é que em 2027 seja realizado leilão de área”, antecipou Flávio, acrescentando que o Maranhão já tem experiência com 15 parques de energia eólica onshore (em terra) e geração de 420 MW.

Para Oswaldo Ronald Saavedra Mendez, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Energias Oceânicas e Fluviais (INEOF), o desenvolvimento da eólica offshore representa uma oportunidade estratégica para fortalecer a transição energética, estimular a pesquisa científica e formar profissionais para uma nova indústria. O pesquisador defende que a adoção de fontes renováveis é uma tendência irreversível diante das transformações do cenário energético global e da necessidade de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis.

Ele destaca ainda o papel das universidades e dos centros de pesquisa na avaliação do potencial da costa maranhense e na busca de soluções para desafios tecnológicos do setor. Entre eles está o curtailment, fenômeno caracterizado pelo desperdício de energia produzida devido à limitação da capacidade de escoamento ou consumo pelo sistema elétrico.

“O litoral maranhense pode oferecer uma produção energética de grande escala. O potencial é tão expressivo que seria possível atender uma parte muito significativa da demanda brasileira por eólica offshore produzida aqui. Para tanto, há necessidade de medições locais e contínuas. O investidor só terá segurança para aplicar recursos se houver dados técnicos confiáveis sobre vento, profundidade, comportamento do mar e viabilidade de instalação. Por isso, é preciso apoio a pesquisas de campo, ainda que os custos de medições offshore sejam elevados. A energia eólica offshore pode gerar uma nova agenda de desenvolvimento para o Maranhão, com inovação, tecnologia, empregos e qualificação profissional”, explicou o pesquisador.

O potencial energético da chamada Margem Equatorial também reforça as expectativas para o setor. A região é influenciada por ventos alísios constantes ao longo do ano e, de acordo com medições e estimativas do INCT, poderia gerar energia suficiente para atender cinco vezes o consumo atual do Brasil. Nesse contexto, o litoral entre o Rio Grande do Norte e o Amapá, especialmente o Maranhão, ganha destaque.

Na avaliação de Sérgio Araújo, conselheiro de administração empresarial corporativo da BI Energia, a transformação desse potencial em empreendimentos depende da ampliação dos investimentos em tecnologia, infraestrutura e cadeia produtiva. Ele ressalta a importância do Planejamento Espacial Marinho (PEM), instrumento que deverá orientar a ocupação das áreas marítimas e fornecer segurança jurídica aos projetos, além de subsidiar análises do Ibama e de outros órgãos responsáveis.

A BI Energia possui projetos no Maranhão, no município de Humberto de Campos; no Ceará, no Piauí, e no Rio Grande do Norte. “A empresa já investiu muito em estudos ao longo de uma década e agora aguarda a regulamentação para avançar de forma segura. A distância das áreas offshore, a batimetria, a logística de cabos e a necessidade de estruturas como monopiles (tipo de fundação mais utilizada no mundo para fixar turbinas eólicas no fundo do oceano) influenciam fortemente o custo dos empreendimentos. Se as áreas forem definidas longe demais da costa, os projetos podem se tornar economicamente inviáveis”, antecipou Sérgio.

Para o executivo, a consolidação da eólica offshore no Maranhão passa por três fatores centrais: regulamentação clara, aproximação com universidades e diálogo permanente com as comunidades locais. O alinhamento entre esses atores pode fortalecer a cadeia de suprimentos e criar condições para atrair investimentos de longo prazo.

Além da geração de energia, o debate integra uma agenda mais ampla ligada à Economia do Mar. O vice-presidente executivo da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), Luiz Fernando Renner, informou que está em negociação com a Fundação Aleixo Belov, da Bahia, a elaboração de um diagnóstico da Economia do Mar no Maranhão. O estudo deverá abranger atividades como exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial, energia offshore, pesca e turismo.

João Leal, conselheiro da Associação Brasileira das Empresas de Economia do Mar (ABEEMAR), avalia que o segmento tem potencial para impulsionar o desenvolvimento regional. “O Maranhão não se limita à pesca ou ao turismo, pois possui uma costa extensa, áreas de mangue relevantes e uma grande capacidade de articulação entre setor público, iniciativa privada e instituições de pesquisa. A nossa expectativa é de que o Maranhão possa se posicionar nessa nova fronteira energética brasileira”, frisou.

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(Com informações de O Imparcial)

(Foto: Reprodução/Magnific/os88k)

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