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Restrito no Brasil, World começa a escanear íris em parceria com lojas nos EUA

Iniciativa de Sam Altman, da OpenAI, amplia presença física em diversos pontos dos EUA em parceria com varejistas
Restrito no Brasil, World começa a escanear íris em parceria com lojas nos EUA
Restrito no Brasil, World começa a escanear íris em parceria com lojas nos EUA

Escanear íris – A proposta de usar a íris como prova definitiva de que alguém é humano acaba de ganhar as vitrines do varejo americano. O projeto World, idealizado por Sam Altman, iniciou o cadastramento biométrico em lojas físicas nos Estados Unidos, marcando uma nova fase da iniciativa que pretende criar uma identidade digital global baseada na leitura ocular.

A estreia em espaços comerciais — incluindo uma unidade da Gap em São Francisco — representa uma mudança estratégica. Em vez de depender apenas do público interessado em criptomoedas e tecnologia, a empresa passa a se apoiar na relação de confiança entre grandes marcas e seus consumidores.

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Do universo cripto ao balcão da loja

O World, anteriormente chamado de Worldcoin, surgiu com a justificativa de enfrentar o problema de distinguir humanos de sistemas automatizados em um ambiente digital cada vez mais dominado por inteligência artificial.

O processo funciona por meio de um dispositivo esférico conhecido como “orb”, capaz de capturar uma imagem detalhada da íris. A partir dela, é criado um identificador único — o chamado World ID — que serviria como credencial para autenticação em redes sociais, plataformas financeiras e outros serviços online.

A empresa afirma que o sistema não armazena imagens da forma tradicional e que os dados são criptografados. Ainda assim, especialistas alertam que informações biométricas são, por natureza, permanentes e sensíveis — ao contrário de senhas, não podem ser alteradas em caso de vazamento.

Estratégia de expansão nos EUA

Reportagem do The Wall Street Journal revelou que clientes podem realizar o escaneamento no próprio caixa da loja. A aposta é que, à medida que parceiros integrem o World ID a seus sistemas, a adesão se torne mais orgânica e menos dependente de campanhas diretas ao consumidor.

Segundo executivos do projeto, a expansão para o varejo físico pode acelerar a adoção em território americano, onde a base de usuários ainda é menor do que em países em desenvolvimento.

Globalmente, o World afirma ter mais de 33 milhões de cadastrados, dos quais cerca de 18 milhões já teriam um ID verificado.

O contraste brasileiro

Se nos Estados Unidos a iniciativa amplia sua presença física, no Brasil o cenário é mais restritivo.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, manteve a proibição que impede a empresa de remunerar brasileiros pelo escaneamento da íris. A restrição está em vigor desde fevereiro de 2025.

O entendimento da autoridade é que a compensação financeira oferecida — em formato de token digital — poderia interferir na livre manifestação de vontade dos titulares de dados. A empresa recorreu, mas teve o pedido negado sob a justificativa de que não demonstrou ter mitigado os riscos apontados pela medida preventiva.

Apesar da proibição de pagamento, o registro biométrico segue permitido. Ainda assim, a própria empresa suspendeu os cadastros no país e manteve pontos físicos abertos apenas para esclarecimentos.

O projeto opera oficialmente no Brasil desde novembro de 2024 e chegou a registrar forte procura inicial, especialmente em São Paulo. No entanto, o movimento caiu após as primeiras controvérsias regulatórias e debates públicos sobre privacidade.

Privacidade em jogo

O ponto central da discussão permanece o mesmo nos dois países: até que ponto a promessa de uma autenticação digital robusta justifica a coleta de dados biométricos irreversíveis?

De um lado, o avanço da inteligência artificial amplia a necessidade de mecanismos confiáveis para comprovar identidade humana. De outro, cresce a preocupação com a concentração de informações sensíveis nas mãos de empresas privadas.

Ao levar o “orb” para dentro de lojas físicas americanas, o World sai do nicho tecnológico e se apresenta ao grande público. O movimento pode acelerar sua aceitação — mas também amplia o escrutínio sobre um modelo que combina biometria, identidade digital e criptomoedas.

No fim, a questão que atravessa fronteiras permanece aberta: diante de um mundo cada vez mais automatizado, qual é o preço aceitável para provar que somos humanos?

(Com informações de Gizmodo e g1)
(Foto: Reprodução/Freepik/creativeart)

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