Empresas de TI iniciam tratativas com Fenati e Sindpd-MA – Cerca de um mês após a eleição de uma nova diretoria para o Sindpd-MA (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação e Processamento de Dados do Maranhão), empresas de TI do Maranhão começaram a procurar o sindicato e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação (Fenati) em busca da celebração de Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) entre as companhias e a entidade sindical.
O fato simboliza o novo momento vivido pelo Sindpd-MA após um cenário de completo abandono ao longo dos últimos três anos. A categoria está sem uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) desde 30 de setembro de 2023, fato que causou enormes prejuízos aos profissionais de TI do Maranhão.
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Já existem tratativas em curso com três grandes empresas do setor no estado, sendo estas a Spread, a Stefanini e a Central IT, que já realizou a 1ª rodada de negociação com o sindicato – em conjunto com a Fenati – para a formalização de um ACT.
Após analisar a proposta feita pelo Sindpd-MA e pela Fenati, a Central IT se comprometeu a enviar uma contraproposta até o fim da próxima semana.
Pelo futuro da TI no Maranhão
A federação de TI e o sindicato da TI maranhense reiteram a necessidade de abertura de diálogo com as empresas de tecnologia do estado. Como é de conhecimento do mercado, o Maranhão atravessa um período crítico de dois anos sem norma coletiva vigente.
Diferente de outros estados, no Maranhão a interlocução é feita diretamente com a federação nacional patronal. No entanto, o setor tem enfrentado uma paralisia nas negociações que punem o elo mais fraco da corrente: o trabalhador. A preocupação das entidades sindicais é com a sustentabilidade do setor, o que exige empresas fortes, mas também profissionais amparados.
A ausência de uma CCT por dois anos não é apenas um problema burocrático, mas também um drama social. O descaso tem gerado prejuízos imensuráveis na vida de milhares de profissionais, que também são pais e mães de família:
- Perda do Poder de Compra: Sem reajustes, a inflação corroeu o sustento básico, empobrecendo a categoria.
- Defasagem de Benefícios: Auxílios como vale-alimentação e auxílio-creche estão congelados, sobrecarregando o orçamento doméstico.
- Adoecimento e Desmotivação: A sensação de abandono gera um clima de instabilidade mental e desinteresse, afetando diretamente a produtividade das empresas.
Ruim para o trabalhador, ruim para as empresas
Para as empresas, o prejuízo é igualmente grave. Sem norma coletiva, o Maranhão sofre com a evasão de talentos para estados vizinhos ou para o mercado remoto internacional, drenando a inteligência local. Além disso, a falta de um instrumento coletivo impede que as empresas pleiteiem reajustes de preços em seus contratos públicos e privados.
Por conta de todos os fatores listados acima, a Fenati e o Sindpd-MA convidam as empresas de TI a buscarem a celebração de Acordos Coletivos de Trabalho diretos.
O ACT é a ferramenta que protege a empresa de passivos jurídicos e garante ao trabalhador o mínimo de dignidade para seguir produzindo. Estamos abertos ao diálogo para construir soluções realistas que tirem a TI maranhense do isolamento.
Fim da escala 6×1
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais foi aprovada na comissão especial da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27). O texto segue agora para apreciação do plenário da Câmara na quinta-feira (28) e na sequência, será votado pelo Senado Federal.
O tema ganhou repercussão nacional nos últimos meses, com a proposta recebendo amplo apoio dos trabalhadores e da sociedade como um todo, como demonstra uma pesquisa publicada pelo Datafolha em março, revelando que 71% dos brasileiros veem a proposta de forma favorável.
Para o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação (Fenati), Emerson Morresi, a aprovação da PEC anuncia novos tempos na relação entre o capital e trabalho.
“A sociedade mudou e está em constante transformação. O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho são consequências de uma nova visão de mundo, na qual as pessoas não aceitam mais apenas viver para trabalhar. Elas querem trabalhar para viver”, avalia Morresi.
O presidente da federação de TI lembra que o setor de tecnologia da informação no Brasil foi pioneiro nesse processo, pontuando que em alguns estados e localidades, as mudanças que podem ser aprovadas no Congresso Nacional nos próximos dias já são realidade.
“O fim da 6×1 será histórico, assim como a redução da jornada de trabalho, e a TI foi pioneira nesse processo. Junto com os nossos sindicatos filiados, já conquistamos a jornada de 40 horas em estados como São Paulo, Paraná, e em cidades como Uberlândia (MG), que tem se consolidado como um polo tecnológico do Triângulo Mineiro. No Paraná, também proibimos a escala 6×1 na norma coletiva do estado, ainda em 2025”, conta.
Atualmente, a federação conta com 16 sindicatos de trabalhadores de TI filiados em onze estados brasileiros: Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. O projeto da Fenati é seguir em expansão para garantir melhores salários e condições de trabalho e de vida para todos os profissionais de TI do Brasil.
“Queremos assegurar as conquistas que já alcançamos em alguns estados e cidades-chave para todos os profissionais de TI do País. Nosso objetivo é garantir que todo trabalhador brasileiro de tecnologia seja valorizado e reconhecido pelo seu papel decisivo no desenvolvimento das economias locais e do Brasil como um todo”, anuncia.
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